A cidade de El Fasher, capital do estado de Norte Darfur, no Sudão, vive um dos episódios mais violentos da guerra civil que se arrasta desde abril de 2023. O confronto entre o Exército Sudanês (SAF) e a milícia islâmica Rapid Support Forces (RSF) transformou a região em um cenário de horror.
Durante a tomada da cidade pela RSF, civis foram mortos dentro de suas casas, e os hospitais, saqueados. Testemunhas relataram corpos espalhados pelas ruas e famílias tentando fugir com crianças nos braços. Enquanto isso, a comunidade internacional reage de forma lenta, e a cobertura da mídia segue limitada.
O ataque ao hospital
Entre os crimes mais brutais, está o ataque ao Saudi Maternity Hospital, o último hospital que ainda funcionava parcialmente em El Fasher. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 460 pessoas — entre pacientes, acompanhantes e profissionais — perderam a vida. Combatentes da RSF invadiram o local, sequestraram médicos e retornaram depois para executar sobreviventes.
Esse episódio chocou organizações humanitárias e foi classificado como uma grave violação do direito humanitário internacional. Além disso, médicos locais relataram que hospitais vêm sendo alvo constante de ataques desde o início da guerra.
Violência sistemática e perseguição
A ofensiva da RSF não se limita aos campos de batalha. Em diversas regiões controladas pelo grupo, há relatos de execuções sumárias, estupros em massa e casamentos forçados. Mulheres e meninas estão entre as principais vítimas.
Por outro lado, minorias religiosas, como comunidades cristãs, sofrem perseguições, deslocamentos forçados e destruição de templos. Esses ataques revelam um padrão de limpeza étnica e intolerância religiosa que agrava ainda mais a tragédia.
O silêncio da mídia internacional
Apesar da gravidade do conflito, a cobertura internacional é escassa. Uma das razões é o bloqueio de acesso à cidade, que impede jornalistas e agências humanitárias de entrar na região. Além disso, cortes de internet e comunicações dificultam a divulgação de informações confiáveis.
Enquanto o mundo se volta para outros conflitos, Darfur segue esquecida. O silêncio da mídia contribui para a impunidade dos responsáveis e enfraquece a pressão por ajuda humanitária.

Por que isso importa
Os ataques da RSF violam diretamente as Convenções de Genebra, que garantem proteção a civis e hospitais em tempos de guerra. O massacre de El Fasher pode ser enquadrado como crime contra a humanidade. Especialistas alertam para o risco de genocídio e colapso humanitário, já que milhões de pessoas vivem deslocadas e sem acesso a alimentos ou remédios.
O que pode ser feito
Antes de tudo, é essencial dar visibilidade aos fatos. Compartilhar informações confiáveis nas redes e pressionar governos e organizações internacionais ajuda a romper o silêncio.
Além disso, o apoio a instituições humanitárias que atuam no Sudão pode salvar vidas. E, por fim, exigir investigações internacionais é uma forma de garantir que crimes como este não fiquem impunes.
Conclusão
O massacre em El Fasher mostra até onde a guerra pode chegar quando o mundo escolhe o silêncio. O ataque a um hospital — espaço criado para salvar vidas — é o retrato mais cruel da barbárie. Mesmo que a mídia internacional se cale, não podemos ignorar o sofrimento do povo sudanês. Falar sobre isso é um ato de resistência e humanidade.


