A Avenida Paseo de la Reforma, um dos pontos mais importantes da Cidade do México, recebeu neste sábado (15) uma grande marcha que começou pacífica, mas terminou em confronto. O ato reuniu milhares de pessoas que protestaram contra a violência crescente no país e contra a postura do governo da presidente Claudia Sheinbaum. O assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, foi o estopim para a mobilização.
O que motivou o protesto
A convocação partiu do grupo “Geração Z México”, que se apresenta como independente e sem vínculos partidários. Apesar disso, o movimento ganhou força rapidamente, já que muitos jovens enxergam a violência como parte do cotidiano. O assassinato de Carlos Manzo, alvo de criminosos durante um evento público, aumentou ainda mais o clima de indignação.
Durante a marcha, várias pessoas levantaram cartazes com frases de apoio a Manzo. Muitos usaram chapéus semelhantes aos dele, reforçando o simbolismo que o prefeito ganhou após o crime. Além disso, a bandeira pirata inspirada no mangá “One Piece” apareceu em diferentes pontos da manifestação, o que mostrou o peso cultural da geração que ocupou as ruas.
Como a marcha virou confronto
A caminhada seguiu tranquila por boa parte do trajeto. No entanto, a tensão aumentou quando um grupo encapuzado se aproximou do Palácio Nacional e derrubou as barreiras metálicas que protegiam o prédio. A polícia reagiu imediatamente com gás lacrimogêneo, o que espalhou o caos.
Mais de 120 pessoas ficaram feridas, e cerca de 20 manifestantes foram detidos. Segundo as autoridades, ao menos 100 policiais sofreram lesões, e 40 precisaram de atendimento hospitalar. Mesmo assim, a marcha continuou repercutindo nas redes sociais e gerando novos debates sobre a segurança no país.
Críticas ao governo de Sheinbaum
Os participantes do ato acusam o governo de negligência e de falta de ação contra o crime organizado. Para eles, a violência cresce porque o Estado não responde com firmeza. Já a presidente Sheinbaum afirmou que a marcha tem motivações políticas e que alguns organizadores pertencem a grupos da oposição. Ela também afirmou que não iniciará uma nova guerra contra o narcotráfico, defendendo políticas sociais como caminho para enfrentar o problema.
A força simbólica da juventude
A forte presença de jovens deu outro tom ao protesto. Essa geração vê o aumento da violência como uma ameaça direta ao futuro. Por isso, utiliza símbolos culturais, como referências a animes e elementos da cultura pop, para transformar sua mensagem em algo claro e reconhecível.
O que pode acontecer agora
A marcha colocou pressão sobre o governo, que agora precisa dar respostas mais concretas para conter a violência. Caso contrário, novos protestos podem surgir. Além disso, a acusação de manipulação política pode aprofundar divisões entre sociedade e governo, o que tornaria o cenário ainda mais tenso.


