A audiência pública realizada na Câmara Municipal de Vitória da Conquista para discutir macrodrenagem e microdrenagem revelou, mais uma vez, que o problema da drenagem urbana é um dos maiores gargalos estruturais da cidade. Técnicos, vereadores e representantes de diversos setores apontaram falhas antigas, obras pendentes e a necessidade de planejamento integrado e permanente. Além disso, o encontro mostrou que a solução passa por decisões políticas que precisam ser assumidas com firmeza.
No entanto, entre explicações e contrapontos, dois momentos se destacaram:
- A ausência novamente registrada da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, e
- A cobrança incisiva do vereador Dudé sobre a destinação dos recursos do novo empréstimo de R$ 400 milhões.
A Falta Que Fala Alto: Ausência da Secretaria de Meio Ambiente
Era esperado — e necessário — que a Secretaria de Meio Ambiente estivesse presente. A discussão sobre drenagem urbana exige articulação com o órgão responsável pela preservação das bacias, fiscalização ambiental e combate às ocupações irregulares que bloqueiam o escoamento natural das águas. Por isso, sua presença seria essencial para enriquecer o debate e apresentar respostas técnicas.
Contudo, mais uma vez, ninguém da Secretaria compareceu.
O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, fez questão de registrar o fato em plenário, em fala direta e baseada nos registros oficiais da sessão:
“Só registrar que, assim como a secretária Ana Cláudia do Meio Ambiente foi convidada… também foi o Jackson, o Luís, que vieram e já não é a primeira vez que isso acontece — não enviou nenhum representante da Secretaria.”
A intervenção deixou claro que o problema não é apenas administrativo — é institucional. Assim, a ausência repetida compromete a qualidade dos debates e a integração necessária entre infraestrutura e meio ambiente.
A Cobrança de Dudé: “R$ 200 milhões para a macrodrenagem”
Outro ponto forte da audiência veio do vereador Luís Carlos Dudé, que voltou a defender que metade dos R$ 400 milhões solicitados pela Prefeitura em novo empréstimo seja carimbada para obras de macrodrenagem.
Segundo Dudé, não adianta aprovar valores expressivos se a destinação não enfrenta a raiz do problema. Por isso, ele reforçou:
“É preciso que, desses R$ 400 milhões, ao menos R$ 200 milhões sejam destinados às obras de macro e microdrenagem. Se não resolvermos a macrodrenagem da cidade, a população continuará sofrendo ano após ano.”
Ele destacou ainda que os recursos devem priorizar bacias hidrográficas, Lagoa das Bateias, Parque Ambiental, e pontos críticos historicamente negligenciados pelo poder público. Dessa forma, a cidade poderia avançar em soluções concretas e duradouras.
Vitória da Conquista Precisa Falar a Mesma Língua
A audiência foi importante, mas, ainda assim, incompleta.
Faltou quem deveria contribuir tecnicamente.
Faltou quem deveria prestar contas.
E, por outro lado, sobrou responsabilidade para quem esteve presente.
Enquanto a cidade enfrenta alagamentos, erosões e estruturas colapsadas, não há espaço para ausências, nem para indefinições sobre o uso dos recursos públicos.
Assim, como bem resumiram Ivan Cordeiro e Dudé — cada um à sua maneira — a solução da macrodrenagem depende de presença, compromisso e investimento real.
E a cidade não pode esperar mais.


