O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo STF por envolvimento em uma suposta tentativa de golpe, explicou por que decidiu deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. Segundo ele, sua prioridade foi proteger a família. Além disso, afirmou que não poderia permanecer no país sabendo que suas filhas o veriam ser preso por algo que, segundo diz, não cometeu.
“É lógico que eu não ia ficar no Brasil, com as minhas filhas me vendo ser preso sem ter cometido crime algum e sendo submetido a uma ditadura.”
O que Ramagem chama de perseguição do STF
Segundo Ramagem, o Supremo Tribunal Federal age de forma política ao conduzir investigações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos aliados do governo anterior.
De acordo com ele, sua condenação foi construída com base em interpretações amplas e sem provas materiais que o ligassem diretamente a qualquer plano golpista.
Além disso, ele afirma que:
- O STF tem concentrado poderes, atuando como investigador, acusador e julgador;
- As decisões são tomadas sem colegialidade plena, especialmente em medidas monocráticas;
- Há uso extensivo de prisões preventivas e medidas cautelares consideradas desproporcionais;
- O inquérito das fake news, que deu origem a diversos desdobramentos, seria “um inquérito eterno”, sem limites claros;
- O tribunal estaria usando suas decisões para punir adversários políticos, não crimes concretos.
Por isso, Ramagem diz que se tornou alvo direto do “establishment judicial”.
Consequentemente, passou a acreditar que seria preso independentemente das provas.
Contexto da Fuga
Ramagem declarou estar “seguro” nos EUA com o conhecimento do governo americano. Além disso, disse ter percebido, pouco a pouco, o avanço do que chama de perseguição política.
Por consequência, decidiu partir antes que a situação se agravasse.
Segundo ele, a proximidade do julgamento final no STF sinalizava que sua prisão era questão de tempo.
Condenação e Disputa Narrativa
O STF condenou Ramagem a mais de 16 anos de prisão.
Contudo, ele insiste que o processo foi conduzido com parcialidade.
Por outro lado, ministros defendem que as provas analisadas — como mensagens de planejamento, reuniões estratégicas e vínculos com estruturas paralelas de inteligência — sustentam a decisão.
Proteção da Família
A esposa, Rebeca Ramagem, reforça a tese de perseguição. Além disso, afirma que a mudança foi necessária para garantir segurança às filhas.
Consequentemente, a família migrou para os EUA mesmo com medidas cautelares que, supostamente, impediam a viagem.
Implicações Políticas
A fala de Ramagem levanta questões importantes.
Por um lado, fortalece a narrativa da oposição de que o STF ultrapassa seus limites constitucionais.
Por outro lado, amplia o desgaste institucional entre Judiciário e setores conservadores.
Além disso, sua fuga reacende o debate sobre:
- limites das decisões penais do STF;
- equilíbrio entre poderes;
- impacto político de condenações em série de aliados de Bolsonaro.
Críticas e Dúvidas
Embora Ramagem sustente que houve “anuência americana”, críticos questionam essa versão. Ainda assim, ele segue afirmando que está protegido.
Apesar disso, permanecem dúvidas sobre como deixou o país sem comunicar oficialmente a Justiça.


