Vídeos recentes gravados pelo biólogo Richard Rasmussen mostram operações do governo federal na Amazônia que chocaram o país. Nas imagens, agentes do IBAMA e forças de segurança aparecem armados, retirando famílias de suas casas. Logo depois, queimam bens simples, como geladeiras, móveis e moradias de madeira.
Os moradores relatam que não recebem alternativa imediata de reassentamento. Muitos saem apenas com a roupa do corpo. As cenas revelam um contraste forte entre a vida real na floresta e o discurso em Brasília, que fala em “desintrusão” e “proteção ambiental”.
Rasmussen tenta aproximar o público urbano do drama vivido na região. Ele pede para imaginar agentes entrando em um apartamento na capital, retirando a família à força e incendiando tudo. A comparação deixa claro o tamanho da violência social que muitas comunidades enfrentam na Amazônia.
O governo Lula defende as ações como cumprimento da lei e proteção de territórios ambientais. Afirma que segue normas que permitem destruir equipamentos usados em infrações ambientais. Essa política foi retomada com força após 2023.
Na prática, porém, muitas famílias afirmam ser tratadas como “ocupantes irregulares”. Elas dizem que não têm direito real à defesa, indenização justa ou garantia de um novo lugar para viver. Para críticos da política ambiental, a estratégia transforma brasileiros pobres em dano colateral de metas internacionais.
Os vídeos de Rasmussen reacendem um debate urgente. Como equilibrar proteção ambiental e dignidade humana? Até que ponto o Estado pode agir sem oferecer alternativas reais a quem vive nas áreas afetadas? E quantos lares ainda serão destruídos em nome de uma política que não considera as pessoas que ali moram?


