O recente texto do presidente da Câmara de Vereadores de Vitória da Conquista, Ivan Cordeiro, ao tratar da crescente conexão aérea entre Conquista e São Paulo, vai além de uma simples observação sobre rotas e preços de passagens. Ele lança luz sobre um fenômeno mais profundo: a reorganização das relações econômicas, sociais e simbólicas do interior baiano com os grandes centros do país.
Quando se afirma que, hoje, é mais fácil viajar de avião de Vitória da Conquista para São Paulo do que para Salvador, o dado chama atenção não apenas pela lógica invertida da geografia, mas principalmente pelo que ele revela sobre prioridades, investimentos e estratégias de integração regional. A capital baiana, historicamente referência política, administrativa e cultural, parece perder centralidade para uma metrópole que oferece maior diversidade de oportunidades, conexões e dinamismo econômico.
O argumento apresentado por Ivan Cordeiro dialoga diretamente com a consolidação de Vitória da Conquista como capital do interior da Bahia. Com mais de 400 mil habitantes, a cidade exerce forte influência sobre mais de dois milhões de baianos e baianas do Sudoeste, destacando-se pela sua infraestrutura viária, pela oferta de serviços de saúde e educação e pela qualidade de vida que vem sendo construída ao longo dos anos.
A ponte aérea com São Paulo, nesse sentido, não deve ser interpretada apenas como um deslocamento físico, mas como um canal de acesso a um ambiente econômico e cultural que favorece o crescimento profissional, empresarial e intelectual da população conquistense e regional. A maior cidade do país torna-se, assim, uma extensão estratégica das possibilidades que Conquista já oferece em âmbito local.
Ao mesmo tempo, o texto provoca uma reflexão necessária sobre o distanciamento simbólico entre o interior e Salvador. A percepção de que a capital baiana já não “abraça” nem “acolhe” parte significativa do interior revela uma lacuna histórica na integração estadual, que precisa ser enfrentada com políticas públicas mais equilibradas e inclusivas.
A análise proposta por Ivan Cordeiro não encerra o debate, mas o amplia. Ela aponta para a urgência de repensar a logística aérea, o papel das capitais regionais e o lugar do interior nos projetos de desenvolvimento. A conexão Vitória da Conquista–São Paulo é, sem dúvida, uma oportunidade. O desafio está em transformar essa ponte aérea em um caminho de progresso que fortaleça, antes de tudo, o desenvolvimento local e regional.
De capital para capital, o que está em jogo não é apenas o destino do voo, mas o futuro das relações entre o interior da Bahia e os grandes centros de decisão do país.




