Uma fala do Padre José Eduardo, feita durante uma missa, viralizou nas redes sociais nos últimos dias. O tom foi duro. Ainda assim, a mensagem central foi clara: não é aceitável rir do sofrimento alheio, mesmo em disputas políticas.
Durante a homilia, o padre condenou, de forma geral, atitudes de deboche contra pessoas que enfrentam problemas de saúde. Ele não citou nomes, não mencionou veículos de imprensa e tampouco se referiu diretamente a um vídeo específico. Ainda assim, muitos internautas associaram a fala a um conteúdo que circulava recentemente nas redes, envolvendo comentários sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Essa associação surgiu porque, nos dias anteriores, havia ganhado repercussão um vídeo atribuído à jornalista do UOL, Daniela Lima, interpretado por parte do público como deboche após a divulgação de problemas médicos enfrentados por Bolsonaro. No entanto, é importante destacar que essa conexão é fruto de interpretação popular e análise de contexto, e não de uma referência direta feita pelo sacerdote.
Segundo o padre, quando o sofrimento vira motivo de riso, a crítica política deixa de existir e dá lugar à desumanização. Para ele, um cristão jamais deve rir da desgraça de outra pessoa. Pelo contrário, deve demonstrar compaixão, mesmo quando há discordâncias ideológicas. Dessa forma, a caridade não pode ser seletiva. Se for, deixa de ser caridade.
Crítica à hipocrisia e ao ódio disfarçado
Outro ponto central da homilia foi a crítica à hipocrisia moral. Segundo o sacerdote, há pessoas que defendem publicamente valores como amor, inclusão e acolhimento. Contudo, permanecem em silêncio quando alguém é humilhado por razões políticas.
Além disso, ele alertou para o que chamou de “ódio polido”. Ou seja, um ódio que se apresenta de forma educada e socialmente aceitável. No entanto, continua sendo destrutivo. Assim, esse comportamento acaba normalizando a crueldade e incentivando a indiferença.
Alerta histórico e banalização do mal
Em seguida, Padre José Eduardo fez um alerta histórico. Ele afirmou que grandes tragédias começaram com pequenos gestos de desprezo. Primeiro vêm os risos e o deboche. Depois, surgem a exclusão e a violência.
Segundo ele, antes de episódios extremos de perseguição, houve a construção social do óio contra determinados grupos. Portanto, tratar o sofrimento como piada não é algo inofensivo, mas um passo perigoso na deterioração das relações sociais.
Repercussão e polarização
Como resultado, a homilia teve grande repercussão nas redes sociais. Muitos elogiaram a coragem do padre em denunciar comportamentos que consideram desumanos. Para esses apoiadores, a fala trouxe uma crítica necessária ao clima de hostilidade no debate público.
Por outro lado, críticos afirmaram que o discurso foi agressivo e que pode estimular ainda mais a polarização. Mesmo assim, o vídeo continuou circulando e gerando debates intensos em diferentes plataformas.
Uma reflexão que vai além da política
Embora o debate envolva figuras públicas e interpretações políticas, a reflexão proposta pela homilia vai além disso. Trata-se de empatia, limites morais e responsabilidade individual.
Portanto, a fala do padre levanta uma questão fundamental: até que ponto a rivalidade ideológica pode justificar a perda de compaixão? Em tempos de polarização, o respeito deixa de ser apenas um valor religioso e passa a ser uma necessidade social.




