
A saúde do homem ainda é um tema cercado de tabus, resistência e desinformação. Foi justamente para quebrar esse ciclo que o Dr. Cláudio Galeno, urologista e professor universitário, participou de uma entrevista esclarecedora no programa Bom Dia Cidade, da Rádio Câmara 90.3 FM, conduzido pelo apresentador Vinícius Lima.
Durante o bate-papo, o médico abordou desde o comportamento masculino em relação à saúde até os avanços tecnológicos no diagnóstico e tratamento do câncer de próstata.
Por que os homens cuidam menos da saúde?
Segundo o Dr. Cláudio Galeno, historicamente o homem foi educado para ser o “pilar da família”, aquele que não adoece, não demonstra fragilidade e segue trabalhando apesar dos sintomas. Esse perfil criou uma cultura de negação da doença, que por muitos anos afastou os homens dos consultórios médicos.
No entanto, esse cenário vem mudando. Hoje, os homens estão mais atentos ao próprio bem-estar, embora ainda exista preconceito e resistência em parte da população. Para o especialista, essa mudança acontece de forma gradual e tem um fator determinante: a informação.
Informação salva vidas
O médico destacou que rádio, internet, televisão e redes sociais exercem um papel fundamental na conscientização masculina. Exemplos simples fazem a diferença: quando um amigo ou vizinho comenta que foi ao urologista e realizou exames preventivos, isso gera impacto positivo e incentiva outros homens a fazerem o mesmo.
“Antigamente se morria sem saber o motivo. Hoje sabemos que muitas mortes poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce”, explicou o doutor. O câncer de próstata é um exemplo claro disso.
Câncer de próstata: o mais comum e o mais letal entre os homens
De acordo com o Dr. Cláudio Galeno, o câncer de próstata é atualmente o câncer que mais acomete e mais mata homens, quando excluídos os cânceres de pele. No último ano, inclusive, ultrapassou o câncer de pulmão em mortalidade.
A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o câncer de próstata tem chance de cura superior a 90%. A maioria dos pacientes hoje chega ao consultório ainda com a doença localizada, reflexo direto do aumento da informação e da mudança de mentalidade masculina.
PSA e exame de toque: aliados, não vilões
Um dos pontos mais importantes da entrevista foi o esclarecimento sobre os exames preventivos. O PSA (exame de sangue) e o exame de toque retal não fazem o diagnóstico sozinhos, mas são ferramentas essenciais para identificar quem precisa de investigação adicional.
Esses exames ajudam o médico a separar pacientes de baixo risco daqueles que precisam de acompanhamento mais detalhado. Se estiver tudo normal, o homem retorna no ano seguinte. Se houver alterações, a investigação continua de forma segura e responsável.
Quem tem maior risco?
O urologista destacou três fatores de risco bem estabelecidos para o câncer de próstata:
- Homens negros, que têm maior chance de desenvolver a doença e, geralmente, com perfil mais agressivo;
- Histórico familiar, especialmente parentes de primeiro grau (pai ou irmãos);
- Idade, já que o risco aumenta com o envelhecimento.
Para esses grupos, a atenção deve ser redobrada e o acompanhamento médico ainda mais rigoroso.
Tecnologia e cirurgia robótica: avanço com responsabilidade
Outro tema abordado foi o avanço da cirurgia robótica. O Dr. Cláudio Galeno, que atua tanto em cirurgia aberta quanto robótica, foi enfático: o robô não é a solução para tudo, mas é uma tecnologia que aprimora a técnica cirúrgica.
Os resultados entre cirurgia aberta e robótica, em grandes centros, são semelhantes. No entanto, a robótica representa evolução e já começou a ser incorporada aos planos de saúde. Além disso, há autorização para que, futuramente, esse tipo de cirurgia também seja integrado ao SUS, seguindo o mesmo caminho que a laparoscopia percorreu no passado.
SUS, prevenção e realidade brasileira
O médico também falou sobre sua experiência na rede pública. Segundo ele, muitos pacientes chegam a tempo de tratamento curativo, mas os casos mais avançados ainda estão relacionados, em grande parte, à negação e ao atraso na busca por atendimento.
Apesar das dificuldades do sistema público, o SUS oferece exames, diagnóstico e tratamento. O maior desafio está nas filas e no tempo de espera, especialmente para tratamentos especializados. Ainda assim, o diagnóstico precoce é possível e deve ser buscado.
Saúde vai além da ausência de doença
Ao final da entrevista, o Dr. Cláudio Galeno reforçou um conceito fundamental da Organização Mundial da Saúde (OMS): saúde é o completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doença.
Ir ao urologista não significa apenas “ver se tem câncer”. A consulta envolve qualidade de vida, saúde sexual, função urinária, bem-estar emocional e prevenção de problemas futuros.
Um recado direto ao homem
A mensagem final foi clara e objetiva:
👉 Não espere o Novembro Azul para se cuidar.
👉 Todo homem a partir dos 50 anos deve consultar um urologista ao menos uma vez por ano.
👉 Homens com fatores de risco devem começar antes.
Cuidar da saúde não é sinal de fraqueza. É um ato de responsabilidade consigo mesmo, com a família e com a própria vida.

