Vitória da Conquista voltou ao centro de um debate sensível e urgente: a saúde pública. Durante a edição do dia 09 de fevereiro do Jornal das Seis, veiculado pela Rádio Conquista FM e apresentado por Daniel Silva, Vinícius Lima e Laina Andrade, os comunicadores informaram que o Hospital Unimec deixará de atender pacientes do SUS oriundos de convênio com a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC) a partir do dia 28 de fevereiro de 2026.
A notícia causou apreensão imediata. Afinal, trata-se de um hospital que exerce papel relevante na rede assistencial do município. Além disso, a informação chegou ao grande público de forma tardia, mesmo com a decisão já tomada anteriormente, o que aumentou a sensação de surpresa entre os usuários do SUS.
Decisão antiga, comunicação recente
Embora o rompimento do convênio não seja novo, a população só tomou conhecimento amplo do fato agora. Por isso, surgiram questionamentos naturais: por que essa informação não foi amplamente divulgada antes? E, principalmente, como o município pretende lidar com os impactos dessa decisão?
Nesse contexto, a comunicação institucional se mostra um ponto sensível. Quando o assunto envolve saúde pública, a transparência precisa caminhar junto com o planejamento. Caso contrário, a insegurança se instala, especialmente entre aqueles que dependem exclusivamente do SUS.
A questão financeira por trás do rompimento
Durante o programa, integrantes do Conselho Municipal de Saúde explicaram que o Hospital Unimec decidiu encerrar o atendimento por inviabilidade econômica. Segundo eles, os valores repassados pelo município não cobrem os custos operacionais nem garantem a manutenção da equipe assistencial.
Além disso, mesmo após reajustes aprovados para diversos serviços do SUS, os recursos continuaram abaixo do necessário. Em outras palavras, o sistema até tentou se ajustar, mas não conseguiu alcançar um patamar considerado sustentável pelo hospital.
Um problema que vai além do dinheiro
No entanto, reduzir a situação apenas à falta de recursos seria simplificar demais o problema. Conforme foi debatido no Jornal das Seis, a dificuldade é sistêmica. Falta planejamento de longo prazo, prioridade política e, sobretudo, gestão eficiente.
Enquanto isso, a rede de saúde de Vitória da Conquista segue operando no limite. Emergências lotadas, atenção básica fragilizada e poucos pontos de atendimento criam um cenário preocupante. Portanto, a saída do Unimec do atendimento aos pacientes do SUS conveniados à PMVC tende a intensificar uma sobrecarga que já existe.
Impacto direto na população
Como consequência, quem mais sofre é o usuário do serviço público. Com menos uma unidade atendendo pelo convênio, os demais hospitais — públicos ou conveniados — precisarão absorver uma demanda maior. Isso pode significar mais filas, maior tempo de espera e desgaste ainda maior dos profissionais de saúde.
Além disso, a preocupação aumenta ao se considerar que Vitória da Conquista possui estrutura hospitalar incompatível com o tamanho de sua população. Assim, qualquer redução na capacidade de atendimento gera reflexos imediatos em toda a rede.
Uma crítica necessária
Se a gestão municipal já tinha conhecimento do encerramento do convênio, poderia ter comunicado a população com mais antecedência e clareza. Dessa forma, o debate público teria ocorrido de maneira mais responsável e menos reativa.
Não se trata de apontar culpados de forma simplista. Pelo contrário, o momento exige diálogo, planejamento e soluções concretas. Por isso, perguntas seguem sem resposta: haverá tentativa de renegociação? Existe um plano estruturado para absorver essa demanda? Quais medidas estão sendo adotadas para evitar um colapso ainda maior?
Um alerta para o futuro da saúde em Vitória da Conquista
O fim do atendimento do Hospital Unimec a pacientes do SUS oriundos de convênio com a PMVC não representa apenas o encerramento de um contrato. Na prática, ele escancara fragilidades antigas do sistema de saúde municipal.
Portanto, mais do que lamentar o ocorrido, é preciso transformar o episódio em ponto de partida para um debate sério, transparente e contínuo. Afinal, saúde pública não pode ser tratada como surpresa — ela precisa ser tratada como prioridade.




