O início do ano letivo de 2026 trouxe um alerta grave para a educação inclusiva no Brasil. Cerca de 45 mil estudantes com deficiência visual começaram as aulas sem livros em Braille. O problema ocorre pela primeira vez em décadas. Além disso, compromete diretamente o direito básico à educação.
Sem esse material, alunos cegos e com baixa visão enfrentam dificuldades reais de aprendizagem. Consequentemente, o risco de analfabetismo funcional aumenta de forma significativa.
Falta inédita de livros compromete a alfabetização
De acordo com o Instituto Benjamin Constant (IBC), referência nacional na área, o país vive um cenário inédito. Segundo a instituição, não houve produção de livros didáticos em Braille para o início do ano letivo. Por isso, o momento foi classificado como “Braille zero”.
Historicamente, o governo federal garantia essa produção antes do começo das aulas. No entanto, em 2026, essa política não foi assegurada. Como resultado, milhares de estudantes ficaram sem acesso ao principal instrumento de alfabetização.
Impactos cognitivos podem ser irreversíveis
Especialistas alertam que a ausência prolongada do Braille gera perdas cognitivas profundas, sobretudo na infância. Nessa fase, o contato contínuo com a leitura é essencial. Sem ele, o desenvolvimento intelectual fica comprometido.
Além disso, o Braille vai além do conteúdo escolar. Ele garante autonomia, inclusão social e participação plena na vida acadêmica. Portanto, sua ausência afeta não apenas o aprendizado, mas também a autoestima dos alunos.
Escolas e famílias enfrentam dificuldades diárias
Enquanto isso, professores relatam dificuldades para adaptar as aulas. Muitas escolas não possuem materiais alternativos adequados. Assim, alunos acabam excluídos das atividades em sala.
Do mesmo modo, famílias demonstram preocupação com o futuro educacional das crianças. Em alguns casos, há risco de evasão escolar. Isso ocorre porque o estudante não consegue acompanhar o ritmo da turma.
MEC cita editais, mas não garante entrega imediata
O Ministério da Educação (MEC) afirma que existem editais em andamento para a produção dos livros. Contudo, o órgão não apresentou um prazo concreto para a entrega dos materiais. Dessa forma, a incerteza permanece.
Entidades ligadas à educação inclusiva cobram medidas emergenciais. Segundo elas, esperar o trâmite burocrático pode causar danos irreparáveis. Por isso, defendem soluções imediatas.
Educação inclusiva em xeque
O episódio expõe falhas graves na gestão das políticas públicas de inclusão. Afinal, o acesso ao Braille não é um favor do Estado. Trata-se de um direito garantido por lei.
Enquanto não há solução, milhares de estudantes seguem nas salas de aula sem condições adequadas de aprendizado. Diante disso, cresce o questionamento: o Brasil está, de fato, preparado para garantir educação para todos?
Fonte: O Globo




