Um caso que não pode ser ignorado
A morte do bebê Brian Benício, de apenas 20 dias, expõe uma realidade dura e urgente na Bahia. O recém-nascido, natural de Macaúbas, recebeu diagnóstico de cardiopatia grave e precisava de transferência imediata para uma unidade especializada. No entanto, a vaga não chegou a tempo. O sistema falhou e a vida dele terminou antes da resposta.
Antes de tudo, é impossível não se solidarizar com a família. Ainda assim, o caso exige mais do que comoção. Ele exige resposta.
O problema vai muito além de um caso
Segundo a médica Raissa Soares, essa tragédia não representa uma exceção. Pelo contrário, ela reflete um padrão preocupante que se repete em diversas regiões do estado.
Em Porto Seguro, por exemplo, pacientes aguardam cirurgias por dias às vezes semanas dentro do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães. Eles não esperam por falta de médicos. Eles esperam porque faltam materiais básicos, como próteses ortopédicas.
Enquanto isso, pessoas com fraturas seguem nos corredores. Sentem dor. Perdem tempo. E, em alguns casos, perdem a chance de recuperação adequada.
Regulação travada e ambulâncias que não chegam
Além disso, a situação se agrava quando a regulação até acontece, mas não se concretiza. Muitos pacientes já possuem autorização para transferência. Mesmo assim, continuam presos nos hospitais.
Por quê? Porque não há ambulâncias disponíveis.
Dessa forma, pacientes que precisam viajar do extremo sul até Salvador permanecem à espera. Sofrem em silêncio. Dependem de um sistema que não responde com a urgência necessária.
Falta de dinheiro ou falta de prioridade?
Diante desse cenário, surge uma pergunta inevitável: o problema é falta de recurso ou falta de gestão?
De acordo com Raissa Soares, o estado dispõe de recursos. Ou seja, o problema não está no dinheiro. Está na prioridade. Está na forma como a gestão conduz a saúde pública.
Além disso, a responsabilidade pela média e alta complexidade pertence ao Estado. A lei é clara. Portanto, transferir a culpa para os municípios não resolve a crise apenas desvia o foco do problema real.
O drama de quem espera
Enquanto isso, pacientes seguem esperando. Alguns passam mais de dez dias por uma cirurgia. Outros aguardam respostas que nunca chegam.
Há relatos de pessoas que completam aniversário dentro de hospitais. Há trabalhadores afastados, famílias aflitas e vidas paradas.
E o mais grave: há quem não resista à espera.
Não podemos normalizar o absurdo
Portanto, aceitar essa situação como algo comum significa admitir o inaceitável. A morte de Brian Benício não pode virar apenas mais um número.
Ela precisa marcar um limite.
A Bahia precisa reagir. Precisa cobrar responsabilidade. Precisa colocar a saúde no centro das decisões.
Porque, no fim, a pergunta continua ecoando: quantas vidas ainda serão perdidas enquanto a regulação não chega?





