A vantagem eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre os candidatos da família Bolsonaro diminuiu em 98% dos municípios do Nordeste na comparação entre os primeiros turnos das eleições presidenciais de 2022 e 2026. O levantamento foi publicado pela Folha de S.Paulo no domingo (18) e aponta o crescimento da votação de Flávio Bolsonaro (PL) em diferentes cidades da região.
Apesar do avanço da direita, Lula continua à frente no Nordeste, principal região de apoio eleitoral do petista. No primeiro turno de 2026, o presidente recebeu aproximadamente 21,5 milhões de votos nos nove estados nordestinos, enquanto Flávio Bolsonaro somou cerca de 10,4 milhões.
O resultado de Flávio representa um crescimento de 18,3% em relação à votação obtida por Jair Bolsonaro (PL) na região em 2022. Naquele ano, o ex-presidente recebeu aproximadamente 8,8 milhões de votos no primeiro turno.
Bahia registra avanço de Flávio Bolsonaro
Na Bahia, o levantamento identificou mudanças importantes em municípios onde Lula havia conquistado ampla vantagem na eleição anterior.
Um dos exemplos é Dom Macedo Costa, no Recôncavo Baiano. Em 2022, Lula recebeu 71,5% dos votos, enquanto Jair Bolsonaro alcançou 23,5%. No primeiro turno de 2026, o petista permaneceu na liderança, com 59,3%, mas Flávio chegou a 35%.
Com isso, a diferença entre os dois candidatos caiu de 48 para 23,7 pontos percentuais.
Outro exemplo é Caldeirão Grande, no sertão baiano. Em 2022, Lula havia conquistado quase 79,5% dos votos, contra 15,5% de Jair Bolsonaro. Quatro anos depois, o petista registrou 68%, enquanto Flávio alcançou 28,5%. A vantagem de Lula passou de aproximadamente 64 para 39,5 pontos percentuais.
O avanço de Flávio também foi observado em municípios baianos ligados ao agronegócio, como Formosa do Rio Preto e Baianópolis, no oeste do estado, além de Barra da Estiva, na Chapada Diamantina.
Agronegócio e forças políticas locais
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a redução da vantagem de Lula ocorreu de maneira mais acentuada em cidades pequenas e médias com influência do agronegócio e em municípios que passaram a ser administrados por prefeitos de oposição ao PT.
Em Dom Macedo Costa, o prefeito Tote Fróes (União Brasil) apoiou Flávio Bolsonaro no primeiro turno e atribuiu parte do resultado ao desgaste do PT após anos de presença no poder municipal.
A avaliação, porém, não é compartilhada por todos os grupos políticos locais. O ex-prefeito Guito (PT) apontou a diferença de recursos entre os grupos como um dos fatores que teriam influenciado a disputa na cidade.
Os relatos mostram que, além da preferência nacional pelos candidatos, as alianças municipais, a atuação das lideranças locais e a mobilização das campanhas também fazem parte do cenário eleitoral.
Flávio avança em todo o Nordeste
O crescimento da votação de Flávio Bolsonaro foi registrado nos nove estados nordestinos. De acordo com os dados divulgados pelo UOL, o candidato do PL recebeu 1,6 milhão de votos a mais que Jair Bolsonaro havia obtido na região em 2022.
Alagoas apresentou o melhor desempenho proporcional de Flávio entre os estados nordestinos, seguido por Rio Grande do Norte e Paraíba.
A mobilização de apoiadores da direita também ganhou destaque em municípios do interior, com carreatas, eventos e ações de campanha. Em algumas localidades, a presença de lideranças políticas favoráveis ao candidato do PL contribuiu para ampliar sua votação.
Apesar desse movimento, Lula manteve uma vantagem expressiva no resultado regional, com mais que o dobro dos votos de Flávio no primeiro turno.
Mudanças no mapa eleitoral
O levantamento evidencia uma redução da vantagem petista em grande parte do Nordeste, mas os números não significam que Lula tenha perdido a liderança em todos esses municípios. Em diversos casos, o presidente continuou sendo o candidato mais votado, embora com uma diferença menor em relação ao representante do PL.
Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, Lula ampliou sua margem de votos em apenas 30 dos quase 1.794 municípios nordestinos considerados no levantamento. Flávio, por sua vez, venceu em 15 cidades da região nas quais Jair Bolsonaro havia sido derrotado em 2022.
Os dados mostram mudanças na distribuição dos votos e na força relativa dos grupos políticos em diferentes localidades. A dimensão desse movimento poderá ser observada também no segundo turno, quando os candidatos buscarão ampliar suas bases eleitorais e conquistar o apoio de eleitores que votaram em outras candidaturas ou não compareceram às urnas.
Fonte: Folha de S.Paulo, com informações complementares do UOL.





