TABULEIRO DO NORTE (CE) – Sidrônio Moreira buscava água, mas encontrou um problema inesperado. O morador do sertão cearense investiu R$ 15 mil em um poço artesiano. Em vez de água, um líquido escuro e denso jorrou da terra. A suspeita de petróleo, no entanto, trouxe mais burocracia do que riqueza.
Abaixo, entenda por que o “ouro negro” nem sempre traz lucro imediato no modelo brasileiro.
A União é dona do subsolo
No Brasil, o dono da terra não possui o que está abaixo dela. A Constituição Federal determina que as riquezas do subsolo pertencem à União. O proprietário rural detém apenas o direito de uso da superfície.
A Lei do Petróleo prevê uma compensação ao dono do terreno. Porém, o valor é baixo. Caso ocorra extração comercial, o proprietário recebe entre 0,5% e 1% do faturamento líquido. O Estado fica com a maior parte e define quem explorará a área.
O caminho incerto da exploração
Achar o óleo é apenas o primeiro passo de uma jornada de décadas. O processo funciona assim:
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Avaliação da ANP: A Agência Nacional do Petróleo analisa se a reserva é grande o suficiente.
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Leilão Público: Se houver viabilidade, o governo leiloa a área para empresas privadas ou para a Petrobras.
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Investimento Privado: Muitas vezes, as empresas ignoram áreas já mapeadas. Isso ocorre quando o custo de extração supera o lucro potencial.
O engenheiro químico Adriano Lima alerta para os riscos financeiros. Segundo ele, a dificuldade técnica pode tornar o negócio desinteressante para o mercado.
Prejuízo e falta de água
Para a família de Seu Sidrônio, a descoberta travou a rotina na fazenda. O vídeo da perfuração circula desde 2024, mas a situação continua sem solução. Eles enfrentam dois grandes obstáculos agora:
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Risco Ambiental: A família não pode perfurar novos poços por perto. Existe o perigo real de contaminar o lençol freático com o óleo.
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Custo de Vida: Sem água própria, eles ainda compram caminhões-pipa para sobreviver.
Hoje, os Moreira preferiam ter encontrado água. Eles não podem vender o petróleo por conta própria e continuam pagando caro pelo abastecimento básico no sertão.





