A recente fala de Wagner Alves, marido da prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos, voltou a movimentar o cenário político local. Em entrevista a um podcast, ele se posicionou contra a destinação de cerca de R$ 30 milhões para a construção de uma nova sede da Câmara Municipal.
Segundo Wagner, o recurso deveria permanecer sob gestão do Executivo. Ele classificou a proposta como desnecessária neste momento. Além disso, elogiou a eficiência administrativa da prefeita e defendeu que o dinheiro seja aplicado diretamente em demandas da população.
Autonomia do Legislativo entra no centro da discussão
No entanto, o debate vai além da simples alocação de recursos. A Constituição estabelece a independência entre os poderes. Assim, cabe ao Legislativo decidir sobre sua estrutura, dentro dos limites legais e orçamentários.
Quando uma avaliação externa descarta completamente uma proposta institucional, o tema ganha contornos mais sensíveis. Sobretudo quando a declaração parte de alguém sem mandato eletivo, mas com forte proximidade ao núcleo do Executivo.
Prédio da Câmara já operava no limite
A realidade física da Câmara Municipal reforça a necessidade do debate. Mesmo na época em que o Legislativo contava com 21 vereadores, o prédio já apresentava problemas de espaço. Gabinetes pequenos, setores improvisados e adaptações constantes faziam parte da rotina.
Com o aumento para 23 vereadores, a situação se agravou. Inclusive, a acomodação dos dois novos parlamentares exigiu rearranjos emergenciais. Ambientes já apertados precisaram ser novamente adaptados.
Estrutura improvisada e plenário aquém da cidade
Além disso, o prédio atual se caracteriza por sucessivos “puxadinhos”. Essas soluções provisórias se acumularam ao longo dos anos. Como resultado, a funcionalidade do espaço ficou comprometida.
O plenário, por sua vez, não representa hoje a importância política e econômica de Vitória da Conquista. Trata-se de uma cidade pujante, com papel regional relevante. Ainda assim, o principal espaço de debates do Legislativo não acompanha esse crescimento.
TV Câmara amplia os desafios estruturais
Outro fator agrava o cenário. A Câmara deve implantar uma TV institucional. No entanto, o prédio atual já se encontra abarrotado. Ele não foi projetado para receber estúdios, equipamentos técnicos e equipes de produção.
Dessa forma, tentar incorporar novas funções em uma estrutura saturada tende a gerar ainda mais limitações operacionais. Isso pode afetar diretamente a qualidade do serviço público.
Debate exige cautela e análise técnica
Nesse contexto, a discussão sobre uma nova sede não se resume a uma obra física. Ela envolve planejamento institucional, projeção de crescimento e respeito à autonomia dos poderes.
Portanto, opiniões externas ao Parlamento precisam ser feitas com cautela. O tema exige dados técnicos, visão de longo prazo e diálogo institucional. Simplificar o debate pode empobrecer uma decisão que impacta diretamente o funcionamento do Legislativo e a própria democracia local.




