Nos últimos dias, Vitória da Conquista tem enfrentado um período de chuvas intensas que já estavam previstas pelos alertas meteorológicos. Conforme divulgado pela Prefeitura de Vitória da Conquista com base em informações do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), havia previsão de precipitações significativas e ventos fortes ao longo do fim de semana. E, de fato, no último dia 22 de fevereiro de 2026, o cenário se confirmou.
Entretanto, mais do que alagamentos momentâneos e trânsito lento, as chuvas evidenciaram — mais uma vez — um problema antigo da cidade: os buracos espalhados pelas vias urbanas.

A chuva como agravante de um problema antigo
Em primeiro lugar, é importante destacar que a água da chuva não cria o problema sozinha. Na verdade, ela intensifica falhas que já existiam no asfalto. Quando há fissuras na pavimentação, a água infiltra nas camadas inferiores e, consequentemente, enfraquece a estrutura da via. Com o tráfego constante de veículos, esse desgaste se acelera.
Além disso, o volume elevado de precipitação registrado nos últimos dias aumenta a pressão sobre o solo, provocando erosões e desagregação do pavimento. Como resultado, pequenos desgastes rapidamente se transformam em crateras.
Ou seja, o que antes era um simples remendo pode se tornar um buraco profundo em questão de horas.
A responsabilidade não pode ser empurrada
Outro ponto que tem gerado debate entre moradores é a recorrente atribuição de culpa à Embasa pelos buracos na cidade, especialmente em locais onde há intervenções na rede de água e esgoto.
É fato que obras mal recompostas após intervenções podem contribuir para o surgimento de irregularidades no asfalto. No entanto, limitar o problema exclusivamente à Embasa simplifica uma situação que é claramente mais ampla.
Além das intervenções da companhia de saneamento, há fatores como:
- falta de planejamento preventivo;
- ausência de manutenção contínua das vias;
- falhas na drenagem urbana;
- uso de materiais de baixa durabilidade;
- demora na recuperação de trechos já comprometidos.
Portanto, ainda que a Embasa tenha responsabilidade em pontos específicos, é evidente que a gestão da malha viária é uma atribuição municipal. Quando o problema se espalha por diversos bairros e reaparece a cada período chuvoso, isso indica que há também falhas estruturais no planejamento e na execução das políticas públicas de infraestrutura.

Buracos escondidos: risco redobrado durante as chuvas
Além disso, durante os temporais, muitos buracos ficam encobertos pela água acumulada. Dessa forma, motoristas e motociclistas não conseguem identificar a profundidade ou a extensão do dano na pista. Consequentemente, aumentam os riscos de prejuízos materiais e acidentes.
Somado a isso, vias já comprometidas tornam-se ainda mais perigosas quando combinadas com baixa visibilidade e tráfego intenso. Por isso, a sensação de insegurança cresce justamente nos momentos em que a mobilidade urbana já está prejudicada.
Impactos que vão além do transtorno imediato
Não se trata apenas de desconforto. Pelo contrário, os buracos afetam diretamente a economia local e o cotidiano da população. Primeiramente, há o aumento nos custos com manutenção de veículos. Em segundo lugar, há atrasos no transporte público e no deslocamento de trabalhadores. Por fim, existe o desgaste da própria infraestrutura urbana, que exige reparos cada vez mais frequentes.
Enquanto isso, a cada novo episódio de chuva forte, o problema se repete — e, em muitos pontos, se agrava.
Portanto, qual é o caminho?
Diante desse cenário, fica evidente que ações paliativas não são suficientes. Em vez de apenas transferir responsabilidades, é fundamental investir em planejamento preventivo e execução eficiente.
Isso inclui, por exemplo:
- melhoria no sistema de drenagem;
- fiscalização rigorosa de obras realizadas por concessionárias;
- aplicação de pavimentação com maior durabilidade;
- manutenção periódica das vias mais críticas;
- transparência no cronograma de recuperação asfáltica.
Afinal, quando a chuva passa e os buracos permanecem, o problema deixa de ser apenas climático — e passa a ser administrativo.
Conclusão
Em síntese, as fortes chuvas do dia 22 de fevereiro serviram como um alerta não apenas meteorológico, mas estrutural. Embora os temporais sejam fenômenos naturais, os danos recorrentes nas vias urbanas revelam a necessidade de planejamento contínuo, responsabilidade compartilhada e, sobretudo, ação efetiva.
Assim, mais do que apontar culpados isoladamente, é preciso reconhecer que a solução exige coordenação, fiscalização e compromisso com a qualidade da infraestrutura urbana. Porque, se a chuva é inevitável, os buracos recorrentes não deveriam ser.





