A decisão do ministro Dias Toffoli de deixar a relatoria do caso envolvendo o Banco Master, anunciada nesta quinta-feira (12), expôs mais uma fissura no Supremo Tribunal Federal. O gesto não se limita a um movimento técnico. Ele amplia o debate sobre a crise de confiança que atinge a Corte.
Após reunião interna, os ministros divulgaram uma nota conjunta assinada por dez integrantes do tribunal. O texto buscou demonstrar unidade institucional. Ainda assim, o impacto político da decisão superou o efeito formal da comunicação.
Um Supremo sob pressão constante
O Supremo Tribunal Federal atua hoje em um ambiente de forte desgaste público. Decisões recentes, somadas a mudanças frequentes de entendimento, alimentam críticas sobre previsibilidade e imparcialidade. Nesse contexto, a saída de Toffoli da relatoria reforça dúvidas sobre pressões internas e critérios adotados pela Corte.
Embora a decisão seja legal, o momento amplifica seu significado. A percepção pública não se forma apenas pelo conteúdo jurídico, mas também pelo simbolismo dos atos praticados.
A leitura de William Waack
Para o jornalista William Waack, âncora da CNN Brasil, o episódio confirma um cenário mais amplo. Segundo ele, o STF vive seu pior momento desde a Constituição de 1988. Waack sustenta que grande parte da sociedade já não reconhece o tribunal como guardião confiável da Carta Magna.
Essa crítica reflete um sentimento crescente. Muitos brasileiros veem o Judiciário ultrapassar limites tradicionais e ocupar espaços que caberiam ao Legislativo ou ao Executivo.
Ativismo judicial e erosão da confiança
A atuação expansiva do Supremo não surgiu por acaso. Em diversos momentos, o tribunal interveio para suprir omissões institucionais ou conter crises políticas. No entanto, essa postura gerou efeitos colaterais. A confiança pública diminuiu, e a imagem de neutralidade sofreu abalos.
Mesmo decisões tecnicamente sólidas enfrentam resistência quando a Corte perde credibilidade. Sem confiança social, o peso institucional do STF se enfraquece.
O caso Banco Master como símbolo
O processo envolvendo o Banco Master se tornou um símbolo desse momento. Não apenas pelo mérito jurídico, mas pelo contexto em que surgiu. A troca de relatoria, ainda que legítima, reforça a narrativa de um Supremo pressionado e defensivo.
O episódio evidencia um desafio central. O STF precisa recuperar previsibilidade, transparência e conexão com a sociedade. Sem isso, qualquer decisão corre o risco de ampliar a distância entre a Corte e os cidadãos que ela deveria proteger.





