A senadora Damares Alves criticou publicamente uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevista para o Carnaval. Segundo ela, a iniciativa configura pré-campanha eleitoral irregular, realizada fora do período permitido pela legislação. Para a parlamentar, a ação não respeita o calendário eleitoral e mistura política com um evento cultural de grande alcance popular.
Logo no início da entrevista, Damares questionou a lógica da homenagem. De acordo com a senadora, não faz sentido exaltar um político que pretende disputar a reeleição justamente em ano eleitoral. Assim, na avaliação dela, o contexto deixa claro o objetivo de antecipar a campanha presidencial.
Samba-enredo e referências políticas levantam suspeitas
Além disso, Damares destacou trechos do samba-enredo que fazem referência direta ao presidente. Um dos exemplos citados foi a frase “do alto do Mulungu surge a esperança”, que, segundo ela, reforça o caráter político da homenagem. Ainda conforme a senadora, a música já foi utilizada anteriormente pelo partido do presidente em publicações de cunho eleitoral.
Dessa forma, para Damares, o lançamento do samba durante o Carnaval equivale à apresentação antecipada da música de campanha. Portanto, na visão da parlamentar, não se trata de uma manifestação cultural neutra, mas de uma estratégia organizada para promover o presidente junto ao eleitorado.
Críticas à desconstrução da imagem de Bolsonaro
Outro ponto levantado por Damares diz respeito ao impacto negativo do desfile sobre a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, a pré-campanha não se limita à promoção de Lula, mas também atua de forma negativa contra adversários políticos.
Durante a entrevista, a senadora mencionou imagens de ensaios da escola de samba que, de acordo com sua avaliação, ridicularizam Bolsonaro por meio de memes e representações satíricas. Para Damares, esse tipo de abordagem promove escárnio e incentiva o ódio político, algo que, segundo ela, não deveria ocorrer em um evento financiado com dinheiro público.
Divergência com a versão do carnavalesco
Enquanto isso, o carnavalesco Tiago Martins afirmou que o desfile teria apenas um contexto histórico, sem críticas diretas a adversários. No entanto, Damares contestou essa versão. Conforme explicou, as imagens dos ensaios contradizem o discurso oficial e mostram alegorias claramente associadas à sátira política.
Além disso, a senadora citou falas do intérprete da escola que, segundo ela, reforçam a intenção política do desfile. Assim, para Damares, não há como separar totalmente a apresentação artística do debate eleitoral.
Uso de verba pública e medidas judiciais
Outro aspecto que, segundo a senadora, agrava a situação é o uso de recursos públicos. Damares afirmou que houve financiamento público para a homenagem, o que, em sua avaliação, torna o caso ainda mais grave. Dessa forma, ela defende que as autoridades analisem com rigor a legalidade da iniciativa.
Diante desse cenário, a senadora informou que entrou com uma representação no Ministério Público Eleitoral. Além disso, ela também protocolou uma ação civil pública no Poder Judiciário. Agora, Damares aguarda manifestações formais tanto do Judiciário quanto do Ministério Público para esclarecer se houve irregularidades.
Debate sobre limites entre cultura e política
Por fim, o episódio reacende o debate sobre os limites entre cultura, política e legislação eleitoral no Brasil. Especialmente em ano eleitoral, a discussão ganha ainda mais relevância. Para Damares Alves, eventos culturais não podem servir como instrumento de campanha antecipada, sobretudo quando envolvem recursos públicos.




