A revista britânica The Economist publicou uma análise crítica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a publicação, o petista vive um momento de incoerência no exterior e de perda de apoio dentro do Brasil.
O texto afirma que Lula tenta recuperar protagonismo internacional. No entanto, suas posições recentes têm causado desconforto entre democracias ocidentais.
A posição do Brasil sobre o conflito no Oriente Médio
A crítica ganhou força após a manifestação do governo brasileiro sobre os ataques envolvendo Israel, Estados Unidos e o Irã.
Em nota oficial, o Itamaraty condenou a ofensiva contra o território iraniano. O governo classificou a ação como violação da soberania e do direito internacional.
Para a Economist, o posicionamento brasileiro destoou de outras democracias. Países aliados dos EUA optaram por apoiar Washington ou adotar tom mais cauteloso.
Resposta do Itamaraty à publicação britânica
A reação do governo veio por meio do chanceler Mauro Vieira. Em nota, ele rejeitou a análise da revista e defendeu a tradição diplomática brasileira.
Segundo Vieira, o Brasil mantém uma política externa independente. Ele afirmou que o país não segue alinhamentos automáticos.
Ainda assim, a crítica levantou dúvidas sobre a clareza do discurso brasileiro no cenário global.
Brics e a aproximação com o Irã
Outro ponto sensível citado pela Economist é a relação entre Brasil e Irã dentro do BRICS. O grupo realizará uma cúpula nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.
Para a revista, essa aproximação reforça a percepção de tolerância com regimes autoritários. O argumento é que isso enfraquece o discurso brasileiro em defesa da democracia.
O governo, por sua vez, trata o Brics como um espaço estratégico. A ideia é ampliar influência e reduzir dependência das potências tradicionais.
Popularidade em queda e desafio político interno
Enquanto tenta liderar debates globais, Lula enfrenta dificuldades no cenário doméstico. Pesquisas recentes indicam desgaste de imagem e perda de apoio popular.
A Economist destaca esse contraste. O presidente é ativo no exterior, mas encontra obstáculos para converter esse protagonismo em capital político interno.
Um alerta diplomático discreto, mas relevante
A análise da revista não é um ataque frontal. Ainda assim, funciona como um sinal de alerta. O Brasil voltou ao centro da política internacional, mas precisa ajustar o tom.
A repercussão do texto, divulgada no país pela BBC News Brasil, mostra que o debate está longe de terminar. O desafio de Lula será conciliar ambição global com coerência diplomática — e respaldo interno.




