O deputado estadual Tiago Correia (PSDB) usou a tribuna da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) para criticar o 19º pedido de empréstimo encaminhado pelo governo Jerônimo Rodrigues em pouco mais de dois anos e meio de gestão. O novo projeto de lei autoriza a contratação de um crédito externo junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BID), com garantia da União, no valor equivalente a 4,5 bilhões de reais.
Segundo o parlamentar, a oposição não é contra a contratação de crédito como ferramenta de antecipação de investimentos. No entanto, ele reforçou a preocupação com a quantidade de solicitações e a falta de clareza na aplicação dos recursos. “Não somos contra empréstimos. Muitas vezes eles viabilizam obras importantes, como hospitais, estradas e a ponte Salvador–Itaparica. Mas o que nos chama a atenção é a quantidade de pedidos. Já são 23 bilhões em empréstimos autorizados nesta gestão, número recorde em comparação a governos anteriores”, afirmou.
Comparações com gestões anteriores
Correia lembrou que o governador Jaques Wagner, em oito anos de mandato, solicitou cerca de 7 bilhões em empréstimos, enquanto Rui Costa, também em dois mandatos, obteve autorizações próximas de 13 bilhões. Assim, Jerônimo já superou a marca dos 23 bilhões em apenas dois anos e meio.
Para o deputado, a justificativa de que a Bahia tem um dos menores níveis de endividamento do país não é suficiente. Afinal, mesmo com tantos recursos obtidos, os indicadores sociais continuam ruins. “O estado continua sendo o mais violento do país, mantém o maior número de analfabetos adultos e apresenta altos índices de desemprego e habitações precárias. Portanto, isso mostra que os recursos não estão sendo bem aplicados”, ressaltou.
Cheque em branco ao governo
Correia criticou ainda a falta de detalhamento dos projetos que serão financiados. Para ele, os deputados estão sendo convocados a entregar um “cheque em branco” ao Executivo, sem garantias de retorno efetivo para a população. “Não basta alegar que é apenas uma substituição de crédito, trocando uma dívida por outra. Na prática, isso se assemelha a pegar dinheiro com um agiota para pagar outro, sem resolver a raiz do problema”, ironizou.
O exemplo de Salvador
Apesar das críticas, Tiago Correia destacou que empréstimos podem ser positivos quando bem aplicados. Como exemplo, citou o caso de Salvador, cidade onde iniciou a carreira política como vereador. Segundo o deputado, boa parte da transformação da capital baiana na última década foi viabilizada graças a operações de crédito.
“Quem conheceu Salvador há 10 anos sabe a diferença. Ruas esburacadas, pouca iluminação, orla degradada. Hoje a cidade é outra, e muito disso se deve a financiamentos bem administrados. A pergunta que fica é: onde estão as mudanças proporcionadas pelos empréstimos do governo estadual?”, questionou.
Reflexão necessária
Correia defendeu uma “pausa” para refletir sobre a forma como os recursos estão sendo utilizados. Nesse sentido, ele destacou que o governo precisa mostrar resultados concretos. “A minha preocupação é perder a oportunidade de usar esses bilhões para, de fato, mudar a vida de quem mais precisa. Dessa forma, o governo deve demonstrar de que maneira esses recursos produzirão resultados para os baianos. Sem isso, a oposição continuará votando contra”, concluiu.