Em entrevista ao programa UP Notícias, apresentado por Deusdete Dias, o prefeito Zé Ronaldo fez uma declaração que chama atenção. Ele afirmou que a maioria dos viadutos de Feira de Santana foi construída durante sua gestão. Segundo ele, 90% dessas obras foram executadas com recursos buscados pela própria prefeitura.
Além disso, o prefeito destacou que a concessionária ViaBahia não realizou os investimentos esperados nas BRs que cortam o município. Diante dessa demora, ele decidiu agir. Por isso, buscou um empréstimo internacional e executou as obras.
De acordo com Zé Ronaldo, essa foi uma das decisões mais acertadas de sua trajetória como gestor. Caso contrário, a cidade estaria hoje completamente travada. Atualmente, segundo ele, o trânsito flui melhor e a mobilidade urbana ganhou outro padrão.
Ou seja, a prefeitura assumiu uma responsabilidade que, em tese, não era exclusivamente municipal. No entanto, a gestão optou por não esperar indefinidamente.
Enquanto isso, em Vitória da Conquista…
A realidade de Vitória da Conquista é diferente. A cidade cresceu. A frota aumentou. Os gargalos se multiplicaram. Entretanto, investimentos estruturantes de grande porte na mobilidade urbana não acompanham esse ritmo há décadas.
O Anel Rodoviário Jadiel Vieira Matos, inaugurado nos anos 2000, foi concebido com a previsão de viadutos e soluções de transposição. Contudo, essas estruturas nunca foram plenamente executadas.
Na prática, o anel viário existe. Porém, as obras complementares que garantiriam maior fluidez ficaram no papel. Como resultado, cruzamentos continuam perigosos e o fluxo segue comprometido em horários de pico.
Portanto, a cidade convive há anos com uma solução incompleta.
O empréstimo de R$ 400 milhões e a pergunta inevitável
Recentemente, a Câmara de Vereadores aprovou um empréstimo de R$ 400 milhões para a prefeitura. Trata-se de um volume significativo de recursos. Logo, abre-se uma oportunidade concreta para investimentos estruturantes.
Diante disso, surge uma comparação inevitável. Em Feira de Santana, o prefeito decidiu buscar financiamento e executar viadutos. Em Vitória da Conquista, há recursos autorizados e demandas históricas represadas.
Então, a pergunta é direta: por que não utilizar parte desses recursos para resolver, de forma definitiva, os gargalos do anel viário?
A prefeita Sheila Lemos tem agora uma oportunidade estratégica. Assim como Zé Ronaldo afirma ter feito em Feira, ela pode escolher deixar um marco estrutural na mobilidade urbana conquistense.
Decisão técnica ou decisão política?
É claro que obras dessa magnitude exigem planejamento, estudos e responsabilidade fiscal. Contudo, também exigem decisão política.
Enquanto se espera por soluções federais ou estaduais, o tempo passa. Além disso, o trânsito piora. Consequentemente, a população sente os efeitos no dia a dia.
Por outro lado, quando uma gestão assume protagonismo, o cenário pode mudar. Foi isso que Zé Ronaldo defendeu em sua entrevista. Segundo ele, se tivesse esperado, Feira estaria hoje paralisada.
Vitória da Conquista está diante de uma encruzilhada semelhante.
Entre o discurso e o legado
Em resumo, mobilidade urbana não é apenas uma pauta técnica. Ela define qualidade de vida, competitividade econômica e segurança viária.
Feira de Santana escolheu agir. Vitória da Conquista, agora, tem recursos autorizados e demandas acumuladas.
Portanto, a provocação está feita:
os R$ 400 milhões serão pulverizados em intervenções pontuais ou transformarão, de fato, a infraestrutura viária da cidade?
A história mostra que obras estruturantes marcam gestões. A pergunta que fica é simples: Vitória da Conquista vai esperar mais algumas décadas ou vai decidir agora?





