Durante entrevista à Rádio Conquista FM, o deputado municipal de Barcelos, Manuel Beninger, comentou o atual cenário político de Portugal. A conversa teve como foco as eleições presidenciais e o comportamento do eleitor português diante da polarização política.
Segundo o parlamentar, o país vive um momento decisivo. Para ele, a disputa vai além de nomes e representa um confronto direto entre o socialismo e um movimento de reação ao modelo vigente.
Resultado do primeiro turno e cenário político
No primeiro turno, António José Seguro obteve cerca de 31% dos votos. Já André Ventura alcançou aproximadamente 23%. A diferença foi de cerca de 400 mil votos, o que mantém a disputa em aberto.
De acordo com Beninger, o segundo turno será definido principalmente pelo posicionamento dos eleitores dos demais candidatos. Por isso, o comportamento desse grupo será determinante para o resultado final.
Polarização entre socialismo e oposição
Para o deputado, a eleição se transformou, na prática, em um plebiscito político. De um lado, está o socialismo. Do outro, forças que defendem uma mudança de rumo em Portugal.
Além disso, ele destacou que os candidatos não socialistas somaram cerca de 60% dos votos no primeiro turno. Esse dado, segundo ele, revela um forte sentimento de insatisfação popular com o atual modelo de governo.
Limites eleitorais e disputa pelo “centrão”
Manuel Beninger afirmou que António José Seguro já atingiu quase o seu teto eleitoral. Segundo ele, o candidato socialista ainda pode agregar os votos da extrema-esquerda, que giram em torno de 4%.
No entanto, o grande ponto de interrogação está no eleitorado do centro. Esse grupo, ainda indeciso, pode pender tanto para Seguro quanto para André Ventura. Dessa forma, o “centrão” será decisivo no segundo turno.
Mudança no comportamento do eleitor português
Outro ponto destacado na entrevista foi a transformação do eleitor português. Conforme explicou o deputado, o cidadão hoje é mais crítico e independente.
Atualmente, o eleitor já não segue orientações partidárias de forma automática. Pelo contrário, passa a decidir por conta própria. Esse comportamento, segundo Beninger, é fruto do acesso à informação e do debate político na internet.
Rejeição ao establishment político
Como exemplo dessa mudança, o deputado citou o fraco desempenho de um candidato apoiado pelo governo e por figuras históricas do poder. Mesmo com amplo apoio institucional, ele não ultrapassou 10% dos votos.
Para Beninger, esse resultado demonstra o desgaste das elites políticas tradicionais. Além disso, revela uma clara desconexão entre o sistema e a vontade popular.
Crescimento de André Ventura nas pesquisas
Sobre as sondagens, o deputado reconheceu que algumas ainda apontam vantagem para António José Seguro. Em geral, os números variam entre 55% e 60%.
Porém, ele ressaltou que André Ventura vem crescendo de forma consistente. Segundo Beninger, o partido Chega é atualmente o que mais cresce em Portugal, impulsionado pelo desejo de mudança do eleitorado.
Diferenças entre Portugal e Brasil no sistema político
Durante a entrevista, Manuel Beninger também comparou os sistemas políticos de Portugal e do Brasil. Ele explicou que, em Portugal, o parlamentarismo fortalece os partidos, já que o voto é feito em listas fechadas.
Entretanto, nas eleições presidenciais, essa lógica muda. Nesse caso, o eleitor tende a votar mais na figura do candidato do que na sigla. Por isso, candidatos fora do establishment ganham mais espaço.
Expectativa de mudança nas eleições presidenciais
Por fim, o deputado afirmou que Portugal vive um momento histórico. Segundo ele, há uma vontade crescente de mudança real no país.
Embora reconheça que o processo não será fácil, Beninger acredita que André Ventura simboliza esse sentimento popular. Assim, o segundo turno, marcado para o dia 8 de fevereiro, promete ser decisivo para o futuro político de Portugal.
A entrevista evidencia um país em transformação. Ao mesmo tempo, revela um eleitorado mais atento, crítico e disposto a romper com padrões políticos tradicionais.




