A participante Milena, negra e moradora da periferia, tornou-se alvo de críticas nas redes sociais após internautas resgatarem curtidas antigas em publicações do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio ganhou grande repercussão digital e reacendeu discussões sobre intolerância política, cancelamento e a cobrança de alinhamento ideológico dentro do Big Brother Brasil, o maior reality do país.
A controvérsia começou quando usuários passaram a questionar a coerência política da participante, associando sua identidade racial e origem social a uma expectativa de posicionamento político específico. A reação foi imediata: militantes de esquerda passaram a criticá-la duramente, enquanto outros internautas saíram em sua defesa, apontando preconceito e tentativa de silenciamento.
Para críticos do ataque virtual, o caso expõe uma contradição recorrente no debate político brasileiro. Embora o discurso progressista defenda diversidade e pluralidade, episódios como esse revelariam baixa tolerância quando indivíduos fogem do espectro ideológico considerado “aceitável” por determinados grupos.
Além disso, o episódio levanta questionamentos sobre o fenômeno do cancelamento nas redes sociais. Especialistas e usuários apontam que a busca por posicionamentos passados, como curtidas e interações antigas, tem sido usada como ferramenta de julgamento moral, muitas vezes sem espaço para diálogo, contexto ou mudança de opinião ao longo do tempo.
Por outro lado, militantes que criticaram Milena argumentam que figuras públicas, especialmente em um programa de grande alcance, precisam assumir responsabilidades sobre seus posicionamentos, já que influenciam milhões de pessoas. Para esse grupo, o debate político não pode ser dissociado de questões sociais e históricas.
O caso de Milena evidencia como o Big Brother Brasil segue funcionando como um espelho das tensões sociais do país. Mais do que entretenimento, o reality se transforma em palco para disputas ideológicas, onde identidade, política e comportamento são constantemente julgados pelo tribunal das redes sociais.
No fim, a polêmica escancara um dilema central do debate público atual: até que ponto a divergência política pode coexistir com a defesa da diversidade, sem resultar em exclusão, ataques ou cancelamento?




