As informações sobre o número de mortos durante os protestos no Irã seguem sendo motivo de intenso debate internacional. Estimativas divulgadas por veículos e organizações independentes apontam números muito diferentes, o que reforça a dificuldade de se obter dados precisos em um país marcado por censura estatal e restrições severas à imprensa.
Relatos citados por veículos como a CBS e o canal Iran International indicam que o total de mortos pode variar entre 12 mil e 20 mil pessoas. Essas estimativas são baseadas em informações internas, denúncias de ativistas e fontes ligadas à oposição iraniana no exterior. No entanto, tais números são contestados por outras organizações que trabalham com metodologias mais conservadoras de verificação.
A HRANA (Human Rights Activists News Agency), por exemplo, informou até o dia 11 de janeiro a confirmação de 544 mortes diretamente ligadas à repressão aos protestos. Já o New York Times publicou análises que estimam que o número real possa chegar a até 3.000 vítimas, considerando dados cruzados de hospitais, funerárias e relatos de familiares.
Outras fontes internacionais também apresentam números distintos. A BBC, com base em dados do grupo Iran Human Rights NGO, mencionou ao menos 648 mortes confirmadas. Em contrapartida, autoridades iranianas admitem cerca de 2.000 óbitos, atribuindo parte das mortes a confrontos e ações consideradas “ilegais” pelo regime.
Especialistas apontam que a discrepância entre os números se explica, em grande parte, pelo rígido controle de informações imposto pelo governo iraniano. Durante os protestos, houve bloqueios de internet, censura a jornalistas, perseguição a ativistas e intimidação de familiares das vítimas, o que dificulta a checagem independente dos fatos.
Imagens que circulam nas redes sociais, como a de um necrotério supostamente lotado de corpos de vítimas da repressão política, aumentam a comoção internacional, mas também evidenciam o desafio de confirmar a autenticidade e o contexto desses registros em meio ao blackout de comunicações.
Diante desse cenário, organizações de direitos humanos alertam que os números oficiais provavelmente não refletem a real dimensão da violência. Enquanto isso, a comunidade internacional segue pressionando por investigações independentes e pelo acesso irrestrito à informação, condição considerada essencial para esclarecer o impacto humano dos protestos no Irã.


