Na manhã desta semana, o programa Bom Dia Cidade, da Rádio Câmara 90.3 FM, abriu espaço para discutir a realidade dos motoristas de aplicativo de Vitória da Conquista. A entrevista foi conduzida pelo apresentador Vinícius Lima e contou com a participação de Jaime, Alcion e Celso, representantes da categoria.
Durante a conversa, os motoristas destacaram problemas antigos que seguem sem solução. Entre eles, o principal é a falta de mobilidade urbana, especialmente na região central da cidade.

Falta de pontos de parada no centro
De acordo com os entrevistados, Vitória da Conquista possui atualmente cerca de cinco mil carros e quase três mil motos de aplicativo. Ao todo, são aproximadamente oito mil motoristas circulando todos os dias. Muitos deles trabalham entre 12 e 14 horas diárias.
No entanto, apesar desse volume, a cidade não oferece pontos adequados de embarque e desembarque. Como resultado, motoristas enfrentam dificuldades constantes para parar com segurança e dentro da lei. Além disso, muitos acabam sendo multados, mesmo em paradas rápidas.
Impactos para passageiros e comércio
Esse problema não afeta apenas os motoristas. Pelo contrário, os passageiros também reclamam da dificuldade de acesso, principalmente no centro. Muitas vezes, não há local seguro para descer ou embarcar.
Nesse sentido, os representantes afirmam que a criação de pontos organizados beneficiaria toda a cidade. Afinal, os motoristas de aplicativo ajudam a movimentar o comércio local, levando milhares de pessoas diariamente às áreas comerciais.
Falta de diálogo com o poder público
Outro ponto central da entrevista foi a ausência de um canal direto de comunicação com a Prefeitura. Segundo Celso, a categoria não se sente ouvida, mesmo sendo numerosa e economicamente relevante.
Apesar de algumas tentativas junto ao Simtrans, os entrevistados afirmam que as demandas raramente se transformam em ações concretas.
Zona Azul e multas frequentes
Além disso, a Zona Azul foi apontada como outro fator de dificuldade. Os motoristas relataram multas aplicadas por veículos de fiscalização automática, mesmo em situações rápidas de embarque e desembarque.
Por esse motivo, a categoria defende a reserva de vagas exclusivas, com sinalização clara. Assim, seria possível reduzir conflitos, evitar penalidades injustas e melhorar o fluxo do trânsito.
Segurança também preocupa
Outro tema sensível abordado foi a segurança pública. Casos de assaltos, agressões e até homicídios envolvendo motoristas geram medo e insegurança.
Por causa disso, alguns profissionais evitam atender determinadas regiões da cidade. Embora isso reduza a renda, muitos preferem preservar a própria vida. Segundo os representantes, falta um protocolo de segurança mais eficiente.
Um apelo por reconhecimento
Por fim, Jaime, Alcion e Celso fizeram um apelo direto às autoridades. Eles pedem reconhecimento, diálogo e políticas públicas voltadas à mobilidade urbana.
“A nossa luta não é apenas da categoria. É uma luta pela mobilidade da cidade”, reforçou Celso.


