A gestão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), reeleito no fim de 2024, enfrenta uma controvérsia que mistura política, concursos públicos e direitos das pessoas com deficiência (PcD). O caso tem provocado forte repercussão política e jurídica na capital pernambucana.
No dia 23 de dezembro de 2025, o prefeito assinou uma portaria que nomeou Lucas Vieira Silva para o cargo de procurador judicial do município. O posto oferece salário inicial próximo de R$ 30 mil, sendo um dos mais bem pagos da administração municipal. (Portal da Capital)
🧑⚖️ Quem é Lucas Vieira Silva?
Lucas participou do concurso para procurador realizado em 2022. No entanto, ele ficou apenas na 63ª colocação na ampla concorrência. Essa posição, por si só, não garantiria uma nomeação imediata. (Bnews)
Entretanto, quase três anos após a homologação do concurso, ocorreu uma mudança decisiva. Em maio de 2025, Lucas apresentou um laudo de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com isso, solicitou a transferência para a lista de vagas reservadas a pessoas com deficiência. (Bnews)
⚖️ Furando a fila? Contestações internas
Inicialmente, a Procuradoria-Geral do Município do Recife (PGM) analisou o pedido. O órgão emitiu parecer técnico contrário à reclassificação. Segundo o documento, a alteração violaria princípios da administração pública, como a isonomia e o respeito estrito ao edital do concurso. (Bnews)
Além disso, a reação interna foi imediata. A Associação dos Procuradores do Município do Recife (APMR) contestou a nomeação. A entidade argumentou que o ato rompeu a ordem classificatória e prejudicou candidatos da lista PcD que aguardavam nomeação há mais de dois anos. (Portal da Capital)
👨⚖️ Conexões e suspeitas de favorecimento
A polêmica ganhou ainda mais força devido às relações familiares de Lucas. Ele é filho de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e de uma procuradora do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). O TCE, vale lembrar, fiscaliza diretamente as contas da prefeitura. (Bnews)
Por esse motivo, críticos do prefeito passaram a levantar suspeitas nas redes sociais e em grupos políticos. Para eles, a nomeação pode ter ido além do laudo médico. As ligações familiares influentes também teriam pesado na decisão, sugerindo possível favorecimento político e administrativo. (TwStalker)
📌 Principais questionamentos
🔹 Alteração tardia da lista PcD — a mudança ocorreu quase três anos após o concurso e depois da homologação. (Bnews)
🔹 Candidato prejudicado — o primeiro colocado da lista PcD aguardava nomeação há mais de dois anos e foi preterido. (Portal da Capital)
🔹 Possível violação de princípios administrativos — técnicos da própria PGM apontaram ilegalidades no procedimento. (Bnews)
🔹 Conexões familiares com o Judiciário e o TCE — fator que intensificou suspeitas de favorecimento. (Bnews)
🧠 O que vem a seguir?
Até agora, o caso segue no centro do debate público e jurídico. Candidatos, especialistas em concursos e juristas discutem os desdobramentos da nomeação.
Além disso, a controvérsia reacende um debate sensível. Afinal, como aplicar corretamente as regras de inclusão e cotas para PcD sem comprometer a transparência, a legalidade e a meritocracia nos concursos públicos?





