Milhares de pessoas voltaram às ruas do Irã em mais uma onda de protestos contra o regime que governa o país há décadas. As manifestações, registradas em grandes cidades e também em regiões periféricas, desafiam abertamente a repressão do Estado e expõem o desgaste crescente da chamada República Islâmica.
Os atos reúnem jovens, mulheres, trabalhadores e grupos da classe média urbana. Muitos pedem liberdade política, direitos civis e o fim do autoritarismo. Em palavras de ordem e cartazes improvisados, os manifestantes atacam diretamente a elite religiosa que concentra o poder e controla as instituições do país.
Repressão, censura e medo
O regime iraniano responde com o velho roteiro: presença ostensiva das forças de segurança, prisões arbitrárias e bloqueio de redes sociais. O objetivo é impedir que as imagens se espalhem para o exterior e que a mobilização ganhe ainda mais força. Ainda assim, vídeos gravados por celulares mostram multidões enfrentando a repressão, mesmo sob risco de violência.
Crise econômica alimenta revolta
Além da falta de liberdade, a crise econômica pesa. Sanções internacionais, inflação alta e desemprego ampliam a insatisfação popular. Para muitos iranianos, a promessa de justiça social feita pelo regime nunca se concretizou. O resultado é um sentimento crescente de frustração e revolta, especialmente entre os mais jovens.
Um regime pressionado
O poder no Irã está concentrado nas mãos do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, figura central de um sistema que mistura religião e política. Embora o governo tente demonstrar controle, a repetição de protestos indica que a estabilidade é mais frágil do que aparenta.
O futuro é incerto
Ainda é cedo para dizer se essa nova onda será capaz de derrubar a ditadura. No entanto, o simples fato de milhares de pessoas voltarem às ruas, mesmo diante da repressão, mostra que o medo já não é absoluto. O Irã vive um momento de tensão permanente, em que cada protesto reacende a esperança de mudança — e expõe, ao mesmo tempo, os limites de um regime cada vez mais contestado.

