Nos últimos dias, um vídeo do advogado criminalista Jeffrey Chiquini ganhou grande repercussão nas redes sociais. Nele, o advogado faz uma análise direta sobre a Operação Compliance Zero, ligada às investigações do chamado caso Banco Master.
Logo no início, Chiquini afirma que fala de forma franca e sem rodeios. Além disso, ele diz que talvez nem sempre terá liberdade para continuar se manifestando. Por isso, decide expor o que pensa antes que seja tarde.
Segundo o advogado, muitos podem chamá-lo de exagerado. No entanto, ele acredita que, em pouco tempo, suas palavras farão sentido para muita gente.
O ponto central da crítica
O principal argumento de Chiquini é simples e direto. Para ele, a operação teria sido um “teatro”. Isso porque, segundo sua interpretação, a Polícia Federal não teria conseguido cumprir o prazo imposto pelo Supremo Tribunal Federal para realizar as buscas.
De acordo com a decisão do ministro Dias Toffoli, as diligências deveriam ocorrer dentro de 24 horas. Porém, segundo o próprio ministro, esse prazo não foi respeitado.
Por causa disso, Chiquini afirma que surge um problema grave: a possível nulidade das provas. Em outras palavras, tudo o que foi apreendido pode perder validade jurídica. Assim, documentos, perícias e demais evidências poderiam ser descartados no processo.
Por que isso é tão importante?
No processo penal, forma também é conteúdo. Ou seja, não basta investigar. É preciso seguir as regras com rigor. Caso contrário, a defesa pode pedir a anulação dos atos.
Por isso, quando há descumprimento de ordem judicial, a consequência pode ser pesada. Desse modo, mesmo provas relevantes podem deixar de ser usadas.
Chiquini explica que, normalmente, juízes não impõem prazos tão curtos para cumprimento de buscas. Em vez disso, autorizam a diligência e deixam a execução para as autoridades. Assim, na visão dele, o prazo de 24 horas teria sido inviável desde o início.
A posição do STF e o questionamento à PF
Além da análise do advogado, há também manifestações oficiais do ministro Toffoli. Ele solicitou explicações formais da Polícia Federal sobre o motivo do atraso.
Segundo o ministro, a demora pode ter prejudicado a investigação. Além disso, ele determinou que as provas fossem lacradas no STF para análise posterior.
Esse detalhe reforça o debate jurídico. Afinal, se houver falha processual, todo o esforço investigativo pode ser comprometido. Portanto, o impacto não é pequeno.
Sistema falho ou estratégia calculada?
Chiquini vai além da questão técnica. Para ele, o caso revela algo maior. Segundo sua visão, o sistema acaba protegendo pessoas influentes.
Assim, mesmo quando há investigações, surgem barreiras jurídicas que dificultam a responsabilização. Por outro lado, críticos dessa visão dizem que o respeito às regras protege todos os cidadãos, não apenas investigados poderosos.
Esse conflito mostra como o tema divide opiniões. Ainda assim, o debate é legítimo e necessário.
Por que o vídeo repercutiu tanto?
O vídeo viralizou porque traduz um assunto complexo em linguagem direta. Além disso, ele toca em um sentimento comum: a frustração com casos que parecem não avançar.
Quando um advogado diz que tudo pode “virar pizza”, isso gera revolta. Consequentemente, o público passa a prestar mais atenção em detalhes jurídicos que antes passavam despercebidos.
Desse modo, o debate deixa de ser apenas técnico e vira também social e político.
Conclusão
A fala de Jeffrey Chiquini não significa que a investigação acabou. No entanto, ela levanta um alerta importante sobre como erros processuais podem comprometer grandes operações.
Portanto, o futuro da Operação Compliance Zero ainda depende de decisões judiciais e da análise das provas. Enquanto isso, o caso segue como exemplo de que, no Brasil, a forma do processo pode definir o resultado final.
E, como o próprio advogado afirmou, só o tempo dirá se suas previsões vão se confirmar.


