Durante o 1º Fórum de Buenos Aires, realizado na Argentina, o brasileiro Symon Filipe de Castro Albino, réu nos processos dos atos de 8 de janeiro de 2023, interrompeu uma palestra do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele protestou contra o que considera injustiças nas condenações aplicadas aos investigados.
Protesto em meio ao debate sobre democracia
O evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), abordava o papel do Judiciário na defesa da democracia.
Durante o discurso de Gilmar, Symon se levantou e afirmou que há “pessoas de bem sendo condenadas sem provas”. Ele também disse estar “há três anos sem ver os filhos”, em referência ao período em que vive fora do país.
Críticas ao STF e alegações de injustiça
Em vídeo gravado por ele mesmo, Symon explicou que sua manifestação foi pacífica. Segundo o réu, muitos acusados receberam penas severas sem provas de participação direta nos atos de vandalismo. Ele também apontou excessos e generalizações nas decisões do STF.
Symon estava acompanhado de dois brasileiros que também respondem a processos relacionados ao 8 de janeiro. Os três afirmaram que se inscreveram normalmente para o fórum, que contou com juristas e acadêmicos de vários países.
Reações e próximos passos
O ministro Gilmar Mendes não comentou o protesto e continuou sua palestra. A organização do evento informou que o episódio não afetou o andamento das atividades.
O julgamento de Symon Castro está previsto para ocorrer entre 14 e 25 de novembro. Ele responde por crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e dano qualificado ao patrimônio público.
Debate segue em aberto
O caso reacendeu a discussão sobre as penas aplicadas aos réus do 8 de janeiro. O STF afirma que as decisões se baseiam em provas robustas. Já alguns acusados dizem que foram condenados apenas por estarem próximos das manifestações, sem envolvimento direto.
O episódio mostra que, mesmo quase três anos depois, o tema ainda divide opiniões e desperta debate dentro e fora do Brasil.


