Vitória da Conquista atravessa um momento de reflexão sobre o futuro do comércio no Centro da cidade. Dois fatos recentes ajudam a ilustrar esse cenário. Juntos, eles evidenciam desafios ligados à mobilidade urbana e ao comportamento do consumidor.
O impacto do fechamento de uma loja tradicional
O fechamento da loja Le Biscuit da Avenida Lauro de Freitas, uma das mais tradicionais do comércio conquistense, marcou o início de 2026. A empresa optou por encerrar as atividades no Centro e manter funcionamento apenas no Shopping Conquista Sul.
A decisão causou surpresa entre consumidores e comerciantes. Para muitos, a saída de uma marca consolidada reforça a sensação de esvaziamento do comércio de rua. Esse sentimento tem sido recorrente entre quem depende do fluxo diário de clientes na região central.
Zona Azul: mudanças após pressão popular
Paralelamente, a Prefeitura anunciou mudanças no sistema de estacionamento rotativo, a Zona Azul. As alterações, no entanto, não surgiram de forma espontânea. Elas ocorreram após uma enxurrada de críticas e reclamações de motoristas, que se mostraram revoltados com o modelo adotado e com a aplicação de taxas e penalidades.
Diante da repercussão negativa e da pressão popular, a administração municipal recuou. Entre os ajustes anunciados está a ampliação do tempo máximo de permanência nas vagas, que passou de duas para três horas, além de mudanças na Tarifa de Pós-Utilização.
A posição oficial da Prefeitura
Durante coletiva de imprensa, a prefeita Sheila Lemos negou que a Zona Azul tenha provocado queda no movimento do comércio central. Em declaração publicada pelo Blog do Sena, a gestora afirmou:
“Não teve queda no geral de venda agora em janeiro. É falácia dizer que o comércio não está vendendo porque as pessoas estão com medo de vir no comércio. O comércio está vendendo o mesmo tanto que vende em todo janeiro. Janeiro e fevereiro são meses fracos para o comércio porque as pessoas estão em viagem ou estão comprando material escolar.”
Segundo a prefeita, portanto, a redução nas vendas neste período é explicada por fatores sazonais, e não pelas regras do estacionamento rotativo.
A percepção de quem vive o Centro
Ainda assim, apesar da posição oficial, o debate permanece. Comerciantes e consumidores relatam que o acesso ao Centro se tornou mais tenso nos últimos meses. Para muitos, o receio de multas e cobranças extras influencia diretamente a decisão de ir às compras.
Nesse contexto, a Zona Azul deixa de ser apenas um instrumento de organização do trânsito. Ela passa a interferir na experiência do consumidor. Quando o sistema gera insegurança ou insatisfação, os impactos podem surgir de forma gradual, mas constante.
Um alerta para o futuro do comércio central
O fechamento da Le Biscuit não pode ser atribuído a um único fator. Ainda assim, ele funciona como um sinal de alerta. Mobilidade urbana, acesso facilitado e confiança do consumidor são elementos essenciais para manter o Centro vivo.
O desafio agora é encontrar equilíbrio entre fiscalização e bom senso. Caso contrário, o comércio central pode continuar perdendo força, mesmo que isso não apareça imediatamente nos números oficiais.




