A morte de Teori Zavascki não foi apenas uma tragédia aérea; pelo contrário, marcou um ponto de ruptura que alterou profundamente o destino político e judicial do Brasil. Quando o avião caiu em Paraty, assim, não caiu apenas um ministro do STF — caiu a peça central que sustentava o avanço mais consistente e estruturado de combate à corrupção já visto no país.
Teori era o relator da Lava Jato e, além disso, conduzia a operação com técnica, discrição e independência. Sua atuação transmitia segurança jurídica em um momento de enorme pressão política. Consequentemente, sua morte repentina abriu uma lacuna que jamais seria preenchida. Sem ele, a operação perdeu ritmo, perdeu blindagem institucional e, dessa forma, muitos consideram que ela foi gradualmente desmontada. Aquilo que avançava contra os poderosos foi se dissolvendo, decisão após decisão, até perder boa parte do impacto que tinha.
O episódio, no entanto, não alterou apenas o curso da Lava Jato. Ele também desencadeou um movimento decisivo dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. Com a vaga aberta, iniciou-se uma disputa silenciosa, mas fundamental, sobre quem ocuparia o espaço deixado por Teori. A nomeação de Alexandre de Moraes, em seguida, inaugurou uma nova fase no STF — uma fase marcada por protagonismo, centralização e decisões monocráticas que, por consequência, reacenderiam debates profundos sobre liberdade de expressão, garantias individuais e equilíbrio entre os poderes.
A ascensão de Moraes, por outro lado, simbolizou para muitos uma mudança radical na relação entre o Judiciário e a sociedade. Sua atuação seria definida por juristas, críticos e até parlamentares como dura, expansiva e, às vezes, autoritária. O Supremo, que antes atuava como árbitro, passou — segundo diversos analistas — a ocupar o centro do tabuleiro político, tomando iniciativas que extrapolam o comportamento tradicional da Corte.
Para boa parte do país, especialmente para quem via na Lava Jato uma chance histórica de renovação ética, a morte de Teori não interrompeu apenas uma operação. Ao contrário, ela alterou o próprio eixo de funcionamento do Supremo e abriu caminho para uma dinâmica de poder que hoje preocupa amplos setores da sociedade. Inclusive, muitos eleitores e observadores entendem que, a partir daquele momento, o esforço anticorrupção começou a perder fôlego e direção.
Em síntese, a morte de Teori Zavascki foi uma tragédia pessoal, institucional e democrática. Ela não apenas encerrou uma carreira íntegra, mas também modificou a arquitetura do poder no Brasil. Por fim, tornou-se um divisor de águas cujo impacto ainda reverbera nas decisões judiciais, na política e na confiança pública nas instituições.


