As mudanças recentes na Zona Azul Digital de Vitória da Conquista continuam gerando forte insatisfação entre comerciantes e consumidores. O novo modelo, apresentado pela prefeitura como uma modernização do estacionamento rotativo, ainda enfrenta falhas sérias na prática. Por isso, trabalhadores da Ceasa afirmam que o sistema está trazendo mais problemas do que soluções.
Aderbaldo: tarifas altas, desorganização e insegurança
O comerciante Aderbaldo, que trabalha na Ceasa, afirma que as mudanças chegaram “de forma muito ruim”. Segundo ele, não há organização no trânsito nem na gestão da empresa responsável, o que tem causado confusão em toda a área central. Além disso, os usuários relatam dificuldades para encontrar QR Codes e para acessar o sistema digital.
Outro ponto que preocupa é a cobrança de valores considerados abusivos. Muitos motoristas que ultrapassam o tempo de uso recebem uma taxa de R$ 60, o que assusta a clientela. Como consequência, vários consumidores têm evitado a feira e migrado para supermercados ou estacionamentos privados.
Aderbaldo também menciona a presença de flanelinhas nas mesmas áreas onde a empresa opera. Isso gera insegurança, dispersa clientes e cria a sensação de que a feira virou “um ponto de comércio da Zona Azul”.
Jair do Peixe: limite de duas horas prejudica clientes e causa multas injustas
O comerciante Jair do Peixe apresenta críticas específicas sobre o tempo máximo permitido para estacionar. Ele reconhece que, em parte, a Zona Azul ajuda a organizar o trânsito. No entanto, o limite de duas horas por vaga causa transtornos frequentes.
De acordo com Jair, muitos clientes levam mais tempo para fazer compras maiores, e por isso acabam multados mesmo com saldo ativo no aplicativo. Ele cita o caso de uma colega que, mesmo pagando o estacionamento, foi multada ao ultrapassar o tempo. A cobrança de R$ 60 deixou a comerciante revoltada.
Além disso, Jair destaca que o consumidor precisa interromper as compras para mudar o carro de lugar. Isso atrapalha tanto quem compra quanto quem vende. Portanto, ele entende que o sistema deveria considerar a realidade da rotina na Ceasa.
Comércio sentindo os efeitos
Assim, o conjunto de reclamações aponta para pontos críticos:
- Tarifas consideradas altas;
- Falta de organização da empresa responsável;
- Multas aplicadas mesmo com saldo ativo;
- Limite de duas horas incompatível com o ritmo da feira;
- Insegurança e presença de flanelinhas;
- Redução de clientes na Ceasa e no centro.
Enquanto o decreto busca modernizar o estacionamento, comerciantes afirmam que o modelo atual não acompanha as necessidades da população e precisa ser ajustado.
Necessidade de mudanças urgentes
Diante dos relatos, comerciantes sugerem melhorias. Entre elas, aumentar o tempo permitido em áreas de grande movimento, reforçar a sinalização e disponibilizar QR Codes em quantidade suficiente. Além disso, pedem mais organização, revisão dos valores cobrados e ações contra a presença de flanelinhas.
Por fim, eles destacam que o funcionamento adequado da Zona Azul é essencial. No entanto, isso só ocorrerá quando o sistema estiver alinhado à rotina real de quem vive e trabalha no centro comercial da cidade.


