Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo fármaco injetável para a prevenção do HIV, com aplicação a cada seis meses. Diante disso, o tema foi destaque no programa Bom Dia Cidade, da Rádio Câmara 90.3 FM, em Vitória da Conquista. Na ocasião, o professor Iago Santos Costa, docente de Biologia e Química, explicou os impactos e, sobretudo, os desafios dessa nova tecnologia para a saúde pública.
O que é o novo fármaco aprovado pela Anvisa?
De acordo com o professor Iago, o medicamento, chamado lenacapavir, é um antirretroviral injetável que pode ser utilizado tanto para profilaxia (PrEP) — prevenção em pessoas não infectadas — quanto como parte do tratamento de pessoas que vivem com HIV.
Além disso, a principal inovação está justamente na forma de uso. Em vez de comprimidos diários, o paciente precisa de apenas:
📌 duas aplicações por ano, uma a cada seis meses.
Assim, o novo formato facilita significativamente a adesão ao tratamento e à prevenção. Segundo o professor, é muito mais simples lembrar de duas injeções anuais do que manter o uso diário de medicamentos por longos períodos.
Por que a adesão ao tratamento é tão importante?
A eficácia dos medicamentos contra o HIV está diretamente ligada à regularidade do uso. Quando isso não acontece, o vírus pode voltar a se multiplicar. Consequentemente, aumenta o risco de infecção no caso da PrEP ou de agravamento da doença em pessoas já diagnosticadas.
Portanto, com a injeção semestral, o risco de falhas por esquecimento diminui bastante. Desse modo, cresce a chance de sucesso tanto na prevenção quanto no controle da infecção.
Como o medicamento age no organismo?
Assim como outros antirretrovirais, o novo fármaco atua em duas frentes principais. Primeiramente, ele dificulta a entrada do HIV nas células de defesa, os linfócitos CD4. Em seguida, também impede que o vírus se replique de forma ativa.
Com isso, o HIV permanece em estado inativo no DNA da célula, não causando destruição do sistema imunológico. Logo, reduz-se a progressão da infecção para a Aids.
HIV e Aids não são a mesma coisa
Durante a entrevista, o professor também reforçou uma diferença fundamental que, muitas vezes, ainda gera confusão.
- HIV é o vírus da imunodeficiência humana.
- Aids, por outro lado, é a síndrome que surge quando o vírus já comprometeu gravemente o sistema imunológico.
Felizmente, com o tratamento adequado, muitas pessoas vivem com HIV sem desenvolver Aids. Ou seja, é possível manter qualidade de vida, desde que o acompanhamento médico seja contínuo.
E o SUS, vai oferecer esse novo medicamento?
Apesar da aprovação pela Anvisa permitir a comercialização no Brasil, isso não significa, entretanto, que o medicamento já estará disponível no SUS.
Isso acontece porque ainda existe uma etapa de avaliação pelo Ministério da Saúde, que considera fatores como custo, impacto orçamentário e benefícios clínicos.
Segundo o professor Iago:
- 💊 Tratamento atual no SUS: cerca de R$ 50 mil por paciente/ano
- 💉 Novo fármaco injetável: pode chegar a R$ 300 mil por paciente/ano
Portanto, o alto custo ainda é a principal barreira para a incorporação imediata no sistema público. Ainda assim, a aprovação da Anvisa já representa um passo importante rumo a esse objetivo.
Brasil é referência mundial no tratamento do HIV
Enquanto isso, o Brasil segue sendo referência internacional no enfrentamento do HIV. Isso porque o SUS garante acesso gratuito tanto à PrEP quanto ao tratamento para pessoas que vivem com o vírus.
Em contraste, em países como os Estados Unidos, muitos pacientes precisam arcar com custos elevados, chegando até a comprometer bens pessoais para manter o tratamento.
Por isso, no Brasil, basta procurar uma unidade de saúde, realizar os exames e iniciar o acompanhamento adequado.
Casos de HIV ainda crescem, especialmente entre jovens
Apesar dos avanços, os dados ainda preocupam. Nos últimos anos, houve aumento de novos casos de HIV, especialmente entre jovens de:
- 📊 18 a 25 anos
- 📊 25 a 35 anos
Além disso, cerca de 20% das pessoas infectadas não sabem que têm HIV, o que favorece a transmissão involuntária do vírus.
Segundo o professor, esse cenário está relacionado à redução do medo da doença, já que hoje existe tratamento eficaz. No entanto, isso não elimina os riscos, nem do HIV nem de outras ISTs.
Prevenção ainda é a melhor estratégia
Mesmo com novas tecnologias, a prevenção continua sendo essencial. Por esse motivo, especialistas reforçam a importância de:
✔ uso de preservativos,
✔ testagem regular,
✔ acesso à PrEP,
✔ acompanhamento médico contínuo.
Em outras palavras, o tratamento é fundamental, mas evitar a infecção ainda é o caminho mais seguro.
Um avanço promissor, mas ainda com desafios
Por fim, a aprovação do fármaco injetável semestral representa um avanço significativo na luta contra o HIV. Principalmente, porque facilita a adesão ao tratamento e à prevenção.
Contudo, o alto custo ainda impede que a inovação chegue rapidamente a toda a população pelo SUS. Enquanto isso, a informação, a prevenção e os tratamentos já disponíveis seguem sendo as principais armas no combate ao HIV no Brasil.


