O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou no sábado (17) que milhares de iranianos morreram durante protestos recentes no país. Segundo ele, a responsabilidade pelas mortes seria do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com Khamenei, Trump teria incentivado diretamente os manifestantes. Além disso, o líder iraniano afirmou que o presidente americano prometeu apoio militar aos protestos, o que teria agravado a violência.
Pronunciamento oficial e acusações diretas
Em discurso divulgado em seu site oficial, Khamenei classificou Trump como um “criminoso”. Para o aiatolá, o presidente dos EUA é responsável tanto pelas vítimas quanto pelos danos materiais registrados durante as manifestações.
Ainda segundo o líder supremo, as declarações de apoio vindas de Washington estimularam ações contra o governo iraniano. Dessa forma, ele atribuiu aos Estados Unidos parte central da crise enfrentada pelo país.
Origem dos protestos e crise econômica
Os protestos começaram no fim de dezembro. Inicialmente, as manifestações foram motivadas pela insatisfação popular com a situação econômica. O aumento do desemprego e da inflação ampliou o descontentamento da população.
Com o passar dos dias, os atos se espalharam por várias cidades. Como resultado, o confronto entre manifestantes e forças de segurança se intensificou.
Denúncias de repressão violenta
Apesar das acusações contra os EUA, Khamenei não mencionou a atuação das forças de segurança iranianas. No entanto, testemunhas relataram ações violentas por parte do Estado.
Organizações de direitos humanos afirmam que agentes abriram fogo contra manifestantes. Em alguns casos, os disparos teriam ocorrido a partir de telhados e posições elevadas. Assim, cresceu a pressão internacional por esclarecimentos.
Divergência sobre número de mortos
Segundo um funcionário iraniano ouvido pela Reuters, ao menos 5 mil pessoas morreram nos protestos. Entre elas, cerca de 500 seriam integrantes das forças de segurança.
Por outro lado, a HRANA, agência de notícias de ativistas de direitos humanos, divulgou números diferentes. A entidade afirma que 3.308 mortes já foram confirmadas. Além disso, outros 4.382 casos ainda estão sob análise. O grupo também contabiliza mais de 24 mil prisões.
Dificuldade de verificação independente
A CNN informou que não conseguiu verificar os dados de forma independente. Isso ocorre devido às restrições de acesso a informações no país.
Enquanto isso, os protestos no Irã seguem sendo considerados um dos episódios mais violentos dos últimos anos. Ao mesmo tempo, o caso aumenta a tensão diplomática entre Teerã e Washington.

