Um vídeo publicado nas redes sociais por um professor e escritor, conhecido por conteúdos sobre Filosofia, História, Direito e Política, viralizou ao levantar um debate sensível: a forma como a História é ensinada nas escolas brasileiras e a escolha de heróis apresentados aos alunos.
Na gravação, o educador relata uma situação que chamou atenção. Segundo ele, ao serem questionados sobre quem consideravam o maior herói da História, professores teriam escolhido, de forma majoritária, Che Guevara. Para o autor do vídeo, o episódio não se trata de opinião isolada, mas de um fato que revela um padrão preocupante dentro do ensino.
“O problema não é um professor específico, mas uma estrutura inteira construída para olhar a História sempre por um viés ideológico”, afirma. Ele argumenta que o revolucionário argentino não pertence à história brasileira e tampouco deveria ser tratado como herói nacional, especialmente quando o país possui uma trajetória rica, marcada por personagens que representaram valores como virtude, dignidade e construção social.
O professor destaca que o conceito de heroísmo deveria estar ligado à capacidade de gerar riqueza, enfrentar adversidades com honra e contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Nesse sentido, questiona por que figuras associadas a revoluções socialistas acabam sendo exaltadas em detrimento de personagens históricos brasileiros.
Outro ponto abordado no vídeo é a formação dos professores. Ele ressalta que muitos profissionais enfrentam jornadas exaustivas, baixos salários e pouco tempo para preparar aulas. Com isso, acabam reproduzindo o mesmo conteúdo que aprenderam na universidade ou seguindo estritamente livros didáticos, considerados por ele como ideologicamente enviesados.
Ao contextualizar historicamente essa influência, o educador cita o período pós-ditadura militar. Segundo ele, houve uma abertura cultural que permitiu a ocupação do espaço educacional por correntes teóricas de esquerda, especialmente a partir das décadas de 1970 e 1980. Ele menciona a estratégia atribuída ao general Golbery do Couto e Silva, que teria deixado a cultura como uma espécie de “válvula de escape” política naquele período.
Para o professor, o resultado dessa construção histórica é perceptível até hoje: uma narrativa predominante que valoriza revoluções populares socialistas e influencia, de forma indireta, o pensamento político das novas gerações. “Não é lavagem cerebral, é uma lógica construída ao longo do tempo”, afirma.
O vídeo gerou forte repercussão nas redes sociais, com apoio de quem defende uma revisão crítica do ensino de História, mas também críticas de educadores que veem o conteúdo como uma generalização da prática docente. O debate evidencia um tema recorrente no Brasil: o papel da escola na formação política, cultural e moral dos estudantes e os limites entre educação, interpretação histórica e ideologia.


