O escândalo do Banco Master não é apenas mais um tropeço de um banco envolvido em fraudes: ele virou um espelho grotesco para a política baiana — especialmente para figuras do PT (Partido dos Trabalhadores) que governaram o estado por quase duas décadas.
Enquanto a instituição crescia e prometia lucros astronômicos, as ligações que deveriam ser escondidas ficaram tão expostas quanto um elefante em plena praça pública. O que era produto financeiro virou enredo político — e um ótimo motivo para desconfiar das relações íntimas entre o poder público e grupos privados.
Credcesta: o cordão umbilical baiano
Em 2018, sob o governo petista de Rui Costa, nasceu o programa Credcesta — um cartão de crédito consignado voltado aos servidores públicos estaduais. Oficialmente, a ideia era “facilitar o acesso a crédito”. Mas, como denunciam investigadores e críticos, serviu principalmente para criar um ecossistema de dependência financeira entre o funcionalismo e quem tinha o “passe do governo”.
Esse programa acabou sendo o laboratório que permitiu ao ex-sócio de Vorcaro, Augusto “Guga” Lima, articular seus negócios com o então Banco Master, estreitando a conexão entre uma sigla política e uma instituição bancária que, mais tarde, viria a colapsar sob suspeitas de fraude bilionária.
Reuniões, consultorias milionárias e negações públicas
O cenário fica ainda mais escandaloso quando se olha para relações que ultrapassaram o campo burocrático e entraram no trato de altos salários e conselhos estratégicos. O Master chegou a contratar nomes indicados por líderes políticos — inclusive por indicação de Wagner — para cargos de consultoria muito bem remunerados.
Mas é claro: quando o escândalo veio à tona, as versões oficiais soaram como se tivessem saído de um manual de negação. Negar vínculos estreitos com o banco tornou-se quase um ritual político, com reflexos diretos sobre o debate público e a interpretação da opinião pública sobre o PT na Bahia.
Isenção ou proteção ideológica?
De um lado, temos petistas argumentando que “não há relatório da Polícia Federal ligando diretamente a Bahia ao escândalo” e se queixando de narrativas construídas “para desgastar o estado”.
Do outro, há uma avalanche de perguntas: se os instrumentos políticos estaduais ajudaram a moldar o ambiente em que o Master prosperou, como se explica a súbita “distância” quando a casa caiu? Onde termina a isenção e começa a proteção ideológica?
Resultado? Uma conta amarga para o contribuinte
No fim, o que sobra não é apenas uma história de fraude financeira de bilhões de reais, mas um exemplo tóxico de como decisões políticas podem ser usadas para favorecer atores privados — e depois serem negadas até quando as evidências crescem como um tsunami.
A Bahia transformou o que deveria ser crédito social em crédito de afeto político. E agora, a conta está sendo paga por muita gente que nunca escolheu entrar nesse jogo.





