O governo petista na Bahia sempre tentou sustentar a imagem de unidade. No entanto, os últimos acontecimentos revelam um cenário bem diferente. O que antes ficava restrito aos bastidores agora ganhou as ruas, os grupos de WhatsApp e o debate público.

O print que acendeu o estopim
O vice-governador Geraldo Júnior encaminhou, em um grupo político, uma mensagem com críticas diretas ao ministro e ex-governador Rui Costa. Além do conteúdo crítico, ele acrescentou a frase “manda viralizar”. Ou seja, não se tratava apenas de um desabafo privado, mas de um incentivo explícito à circulação do ataque.
Minutos depois, ele apagou a mensagem. Ainda assim, o print já circulava. Como acontece na política contemporânea, o estrago correu mais rápido do que qualquer tentativa de contenção.
A mensagem questionava a influência de Rui nas articulações internas e insinuava interferência direta na montagem das alianças. Portanto, o episódio escancarou uma disputa que muitos preferiam negar em público.
A movimentação no Avante e a informação de bastidor
Paralelamente ao episódio do WhatsApp, outra movimentação reforçou o clima de tensão. Rui intensificou sua presença no partido Avante e despachou na sede da legenda em Salvador. Segundo informações publicadas pelo site Política Livre, o ministro reforçou sua articulação sobre o partido no estado.
Além disso, circula nos bastidores uma informação ainda mais sensível: Rui defenderia a indicação de um nome do Avante para ocupar a vaga de vice na chapa de reeleição do governador Jerônimo Rodrigues.
Se essa articulação avançar, o MDB perderia espaço direto na majoritária. Nesse cenário, o partido de Geraldo Júnior ficaria rifado. Consequentemente, a permanência do atual vice deixaria de ser uma certeza e passaria a depender de um rearranjo político complexo.

O “erro” que poucos acreditam
Após a repercussão, aliados divulgaram a versão de que o envio da mensagem teria ocorrido por engano. Segundo essa narrativa, Geraldo pretendia encaminhar o conteúdo para contatos pessoais e acabou enviando no grupo político.
Contudo, a explicação não reduziu a desconfiança. Afinal, ninguém pede para viralizar algo por acidente. Além disso, o contexto político torna a justificativa ainda mais frágil.
Quando tensões se acumulam, qualquer gesto ganha significado maior. Por isso, o episódio passou a simbolizar algo mais profundo do que um simples erro digital.
Disputa de influência e comando
Desde que Rui deixou o governo estadual e assumiu papel central em Brasília, o eixo de poder na Bahia mudou. Entretanto, sua influência no estado permaneceu forte. Ao mesmo tempo, Jerônimo busca consolidar sua própria liderança. Já os aliados tentam ampliar seus espaços na máquina pública.
Nesse ambiente, cada partido mede forças. Cada movimento vira sinal político. E cada silêncio também comunica algo.
Portanto, a possível entrada do Avante na vice não representa apenas uma troca de nomes. Ela sinaliza quem controla o tabuleiro e quem aceita posição secundária.
Um governo que precisa resolver suas próprias fissuras
Enquanto a oposição, liderada por ACM Neto, organiza sua estratégia, a base governista administra tensões internas. Além disso, episódios como esse alimentam a narrativa de desalinhamento.
O problema do fogo amigo não está apenas na crítica pública. Ele desgasta a autoridade, expõe fragilidades e enfraquece o discurso de unidade. Consequentemente, a disputa interna pode se tornar mais perigosa do que qualquer ataque externo.
No fim, a pergunta permanece: o grupo vai transformar a divergência em rearranjo político ou deixará o parquinho continuar pegando fogo?
Por enquanto, os sinais indicam que a disputa por espaço e comando já começou. E, dessa vez, ela ocorre menos nos palanques e mais nos bastidores.





