Na sessão da Câmara Municipal realizada em 24 de abril, o vereador Diogo Azevedo surpreendeu ao adotar um discurso duro contra pontos centrais da gestão da prefeita Sheila Lemos. Apesar de reafirmar que ainda integra a bancada de situação, o parlamentar deixou claro que seu apoio não é irrestrito — e que há limites quando o tema envolve prioridades da cidade.
Logo no início da fala, Diogo fez questão de reforçar sua posição política: “ainda estou aqui na bancada de situação”. No entanto, o restante do pronunciamento seguiu em direção oposta ao que se espera de um aliado, com críticas contundentes à proposta de criação de novos cargos comissionados no Executivo.
Críticas à criação de cargos
O principal alvo do vereador foi o projeto que prevê a criação de mais de 60 cargos. Embora tenha reconhecido que não há ilegalidade na medida, ele questionou a moralidade da proposta, especialmente em um ano eleitoral.
Segundo Diogo, cargos comissionados frequentemente acabam sendo utilizados com fins políticos, atuando diretamente em campanhas. Para ele, esse não é o momento adequado para ampliar a estrutura administrativa enquanto áreas essenciais seguem desassistidas.
Falta de serviços básicos
Durante o discurso, o vereador listou uma série de problemas que, em sua avaliação, deveriam ser prioridade da gestão:
- Ausência de serviços adequados para pessoas com autismo
- Falta de recursos suficientes para a saúde
- Inexistência de fardamento para alunos da rede pública
- Longas filas para tratamento fora do domicílio
Um dos exemplos mais impactantes citados foi o de crianças que precisam ser encaminhadas para Salvador para realizar cirurgias simples, como fimose — um indicativo, segundo ele, da fragilidade da estrutura de saúde local.
Questionamentos sobre prioridades
Diogo Azevedo também chamou atenção para o impacto financeiro da criação dos novos cargos. De acordo com seus cálculos, o custo anual pode chegar a cerca de R$ 8 milhões, considerando salários e encargos.
Para o vereador, esse valor poderia ser direcionado para áreas mais urgentes, como a saúde pública. Ele ainda apontou atrasos nos repasses para a fundação municipal de saúde e relatou problemas enfrentados por trabalhadores, incluindo pagamentos fora do prazo e ausência de verbas rescisórias.
Infraestrutura e contradições
Embora tenha reconhecido que a Câmara já aprovou empréstimos significativos para investimentos em infraestrutura, o parlamentar afirmou que a cidade ainda enfrenta um cenário de “caos” nesse setor. Ainda assim, optou por concentrar suas críticas nas áreas básicas, como saúde e educação.
Um discurso que sinaliza tensão
A fala de Diogo Azevedo evidencia um momento de tensão dentro da base governista. Ao mesmo tempo em que mantém sua posição como aliado, o vereador adota um discurso que se aproxima, em vários pontos, das críticas feitas pela oposição.
O episódio levanta questionamentos sobre o alinhamento interno da base e indica que o debate sobre prioridades e gestão de recursos deve ganhar ainda mais intensidade nos próximos meses — especialmente em um contexto eleitoral.
Se por um lado o vereador reafirma sua permanência na situação, por outro deixa claro que pretende exercer um papel mais crítico e independente dentro do grupo político.





