Um vídeo antigo de Jair Bolsonaro voltou a ganhar força nas redes sociais após a divulgação de novas informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Na gravação, feita em 2022, Bolsonaro questionava Moraes sobre as movimentações financeiras atribuídas à sua família e fazia referência à então primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em tom de cobrança, o ex-presidente afirmou que sua esposa não possuía escritório de advocacia e desafiou o ministro a divulgar os valores que estavam sendo investigados.
“Minha esposa não tem escritório de advocacia, mostre a verdade”, disse Bolsonaro na ocasião. O trecho voltou a circular justamente no momento em que documentos e mensagens apreendidos pela Polícia Federal no celular de Vorcaro passaram a receber ampla atenção.
O que mudou com as novas revelações
As informações divulgadas nesta semana mostram que a Polícia Federal encontrou registros de contatos entre Vorcaro e um interlocutor identificado como Alexandre de Moraes, além de referências a encontros entre o empresário e o ministro. Segundo o material divulgado, teriam ocorrido pelo menos seis encontros entre os dois ao longo de 2024 e 2025.
As investigações também encontraram documentos relacionados a um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. O acordo, segundo os documentos analisados, tinha valor total previsto de aproximadamente R$ 131 milhões.
Um dos pontos que chamou atenção dos investigadores foi a identificação, por meio de metadados, de alterações feitas em uma minuta do contrato pelo usuário associado ao nome “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório afirmou que consultou o ministro sobre possíveis impedimentos legais antes da contratação e sustentou que ele não julgou processos envolvendo o Banco Master.
Também foram divulgadas mensagens nas quais Vorcaro demonstrava preocupação com pagamentos ao escritório. Segundo a apuração, um dos repasses chegou a R$ 3,4 milhões, enquanto documentos encaminhados à CPI indicam que mais de R$ 80 milhões teriam sido pagos entre 2024 e 2025.
Por que a fala de Bolsonaro voltou a circular?
É justamente a referência feita por Bolsonaro, em 2022, à existência ou não de um escritório de advocacia ligado à família de Moraes que deu novo combustível ao vídeo nas redes sociais.
Naquele momento, Bolsonaro reagia às investigações sobre movimentações financeiras relacionadas a Michelle Bolsonaro e ao então ajudante de ordens Mauro Cid. O ex-presidente criticava a quebra de sigilo determinada por Moraes e cobrava que os valores investigados fossem apresentados publicamente.
Em 2023, Moraes também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Jair Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, a pedido da Polícia Federal, em outra investigação.
O vídeo, portanto, não é uma gravação recente. A declaração ocorreu em setembro de 2022, durante o período eleitoral, e voltou a ser compartilhada anos depois em razão das novas informações envolvendo Moraes, Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
Caso ainda está sob investigação
Apesar da repercussão, é importante separar fatos comprovados de acusações e interpretações políticas.
As mensagens recuperadas pela Polícia Federal registram contatos, pedidos e referências a encontros, mas a própria investigação aponta que nem todas as reuniões mencionadas nas conversas tiveram confirmação independente. Além disso, a existência dos diálogos não significa, por si só, que todos os pedidos feitos por Vorcaro tenham sido atendidos.
O caso ganhou nova dimensão depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte do material relacionado à investigação. As revelações colocaram novamente no centro do debate a relação entre o ex-banqueiro, autoridades de Brasília e o escritório da esposa de Moraes.
Assim, o antigo vídeo de Bolsonaro passou a ser utilizado nas redes sociais como uma espécie de “antecipação” do debate atual. No entanto, qualquer conclusão sobre eventual irregularidade precisa ser baseada nas provas da investigação e nas manifestações das partes envolvidas, e não apenas na declaração feita pelo ex-presidente em 2022.





