Pedro Rodrigues explicou, em entrevista à Rádio Câmara 90.3 FM, como a transição para o novo sistema tributário deve impactar empresas de diferentes portes e por que a escolha do regime de tributação precisa ser analisada com antecedência
A Reforma Tributária já começou a provocar mudanças na rotina das empresas brasileiras e exige atenção redobrada dos empreendedores. O tema foi discutido pelo contador Pedro Rodrigues durante entrevista concedida ao programa Bom Dia Cidade, da Rádio Câmara 90.3 FM, apresentado por Vinícius Lima.
Durante a conversa, o contador destacou que a reforma não deve ser encarada como uma mudança distante. Segundo ele, os empresários já precisam começar a analisar os impactos sobre seus negócios, principalmente diante das decisões que passam a ser importantes a partir de setembro de 2026.
“A reforma tributária não é para ontem, não é para hoje, é para amanhã”, afirmou Pedro Rodrigues ao final da entrevista.
Novo sistema terá transição gradual
De acordo com o contador, a Reforma Tributária foi criada para modificar a forma de tributação sobre o consumo no Brasil. Entre as principais mudanças está a implantação de um modelo baseado no IVA dual, formado pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
A substituição dos tributos atuais acontecerá de maneira gradual. Durante o período de transição, os novos impostos começam a aparecer nos documentos fiscais, enquanto os tributos existentes vão sendo progressivamente substituídos.
Pedro Rodrigues explicou que esse processo já pode ser percebido nas notas fiscais, que passam a trazer informações relacionadas à CBS e ao IBS, inicialmente de forma simbólica, preparando empresas e sistemas para a nova realidade tributária.
Setembro de 2026 exige atenção dos empresários
Um dos principais alertas feitos durante a entrevista diz respeito ao mês de setembro de 2026. Segundo Pedro, é a partir desse período que os empresários precisam estar atentos às escolhas relacionadas ao regime de tributação que será adotado nos próximos anos.
A orientação vale para empresas de diferentes portes. O contador ressaltou que tanto pequenos empreendedores quanto grandes empresas precisarão avaliar sua situação e tomar decisões levando em consideração o próprio negócio, seus fornecedores e, principalmente, seus clientes.
Entre as possibilidades discutidas estão a permanência no Simples Nacional, a adoção de um modelo híbrido ou a opção por regimes como Lucro Presumido e Lucro Real, dependendo das características de cada empresa.
Crédito tributário pode mudar a competitividade
Um dos pontos considerados mais importantes na decisão é a possibilidade de gerar e aproveitar créditos tributários.
Durante a entrevista, Pedro Rodrigues utilizou o exemplo de um prestador de serviços para explicar como a mudança pode afetar a concorrência. Ele citou o caso de um jardineiro que presta serviços para uma empresa.
Em determinadas situações, uma empresa contratante pode considerar importante receber crédito tributário a partir da nota fiscal emitida pelo prestador. Segundo o contador, dependendo do regime escolhido, o fornecedor poderá ou não oferecer esse crédito, o que pode influenciar diretamente sua competitividade no mercado.
Por isso, a recomendação é que o empresário não escolha seu regime tributário olhando apenas para o valor do imposto que paga atualmente.
É necessário analisar toda a cadeia de negócios, considerando fornecedores, clientes, possibilidade de geração de créditos e os efeitos que a mudança poderá produzir na formação dos preços e na competitividade da empresa.
CBS começa a ganhar espaço em 2027
Outro marco importante destacado na entrevista é o ano de 2027.
Segundo Pedro Rodrigues, a partir de 1º de janeiro de 2027, começa uma nova etapa da transição, com a entrada efetiva da CBS e a redução progressiva da participação de tributos que serão substituídos.
Já em 2029, começa outra etapa importante, com a implementação gradual do IBS e a substituição de tributos como ICMS e ISS, conforme explicado pelo contador durante o programa.
Dessa forma, 2027 tende a ser um ano de grande importância para as empresas, especialmente porque marca uma nova fase da mudança no sistema de tributação.
Qual será a alíquota do novo imposto?
Durante a entrevista, Vinícius Lima também questionou Pedro Rodrigues sobre as estimativas que circulam a respeito da futura alíquota do IBS e da CBS, com projeções que chegam à casa dos 27% ou 28%.
O contador ponderou que, mais importante do que olhar isoladamente para o percentual da alíquota, é compreender o funcionamento do sistema de créditos e débitos tributários.
Na avaliação apresentada por Pedro, a empresa poderá receber créditos nas aquisições e, posteriormente, terá débitos relacionados às suas vendas. Por isso, a análise precisa considerar o funcionamento da cadeia como um todo, e não apenas uma porcentagem isolada.
Reforma também busca reduzir a sonegação
Outro ponto abordado foi o impacto da reforma sobre a fiscalização e o combate à sonegação.
Pedro Rodrigues avaliou que o novo sistema tende a estreitar o controle sobre as operações das empresas. Para ele, o cenário exige cada vez menos espaço para decisões baseadas em “achismo” e mais atenção ao planejamento e ao acompanhamento profissional da atividade empresarial.
O contador também destacou que a reforma deve ser analisada como um processo amplo e que ainda existem pontos a serem definidos e regulamentados ao longo da transição.
Empresário precisa se preparar agora
Ao encerrar a entrevista, Pedro Rodrigues reforçou que os empresários não devem esperar a reforma estar completamente implantada para começar a se preparar.
A orientação é procurar um profissional da área contábil e analisar, desde já, qual regime de tributação poderá ser mais adequado para cada negócio.
“Você, empresário, procure um profissional adequado” foi uma das recomendações deixadas pelo contador aos ouvintes. Para Pedro, 2027 será um divisor de águas, especialmente em relação à carga tributária e à forma como as empresas deverão administrar seus impostos.
A principal mensagem da entrevista, portanto, é de antecedência e planejamento. A Reforma Tributária será implementada de forma gradual, mas as decisões empresariais precisam começar antes que as mudanças produzam seus efeitos mais significativos.
Para pequenos, médios e grandes empresários, entender as novas regras, avaliar o perfil dos clientes e fornecedores e estudar o regime tributário mais adequado poderá fazer diferença na competitividade e na saúde financeira dos negócios nos próximos anos.





