Candidato a deputado federal, Diego Santana Correa de Oliveira, conhecido nacionalmente como Soldado Correa, falou sobre violência, atuação do tráfico e condições enfrentadas por policiais durante entrevista à Rádio Conquista FM 92,5
Durante entrevista ao programa Conquista Meio-Dia, da Rádio Conquista FM 92,5, o candidato a deputado federal Diego Santana Correa de Oliveira, conhecido como Soldado Correa, falou sobre segurança pública, violência, atuação do tráfico de drogas e as condições enfrentadas por policiais no exercício da profissão. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Vinicius Lima.
Ao comentar sua experiência profissional e pessoal com a violência, Correa afirmou que carrega no próprio corpo as marcas de confrontos armados.
“Eu tenho um projeto de nove milímetros alojado no meu corpo.”
Segundo ele, os ferimentos são resultado de situações reais vivenciadas durante sua atuação policial. Correa ressaltou que já foi atingido por disparos de arma de fogo e afirmou que sua experiência com a criminalidade não se limita ao discurso político.
Avanço do tráfico e ausência do Estado
Durante a conversa, Correa também abordou a presença do tráfico de drogas em áreas onde, segundo ele, o poder público não consegue exercer plenamente sua autoridade.
Ele citou municípios e regiões da Bahia, como Maragogipe e áreas de Salvador, para defender a ideia de que a ausência ou fragilidade da atuação estatal cria espaço para o crescimento das organizações criminosas.
Na avaliação do candidato, quando o Estado deixa de ocupar determinados territórios, grupos criminosos passam a exercer influência sobre a população e sobre a rotina dessas comunidades.
Correa afirmou ainda que existem locais onde, na sua percepção, “o Estado democrático de direito não existe” e que a Constituição não chega de maneira efetiva a determinadas regiões.
Ao comparar essa realidade com Vitória da Conquista, o policial disse considerar a situação do município diferente da observada em algumas áreas de Salvador. Ao mesmo tempo, afirmou acreditar que o avanço da criminalidade pode ocorrer quando há enfraquecimento da presença do poder público.
Comparação entre Bahia e Rio de Janeiro
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a violência em diferentes estados brasileiros.
Correa afirmou que, em números absolutos, a Bahia seria mais perigosa que o Rio de Janeiro. Ele também destacou que, na sua avaliação, a realidade do Rio de Janeiro envolve ainda o elevado poder de fogo de grupos criminosos.
A afirmação foi apresentada pelo próprio candidato durante a entrevista e integra sua avaliação sobre o cenário da segurança pública no país.
Direitos dos criminosos e atuação do Estado
Ao longo da entrevista, Vinicius Lima questionou Correa sobre os limites dos direitos de pessoas envolvidas com organizações criminosas e sobre a possibilidade de tratar determinados grupos como uma ameaça semelhante ao terrorismo.
Em resposta, Correa apresentou uma posição bastante dura sobre o tema.
“Pra mim, criminoso não tinha que ter direito.”
Na sequência, afirmou:
“Quem tira direito do povo não tinha que ter direito.”
As declarações foram feitas no contexto de sua crítica ao que considera uma proteção excessiva aos criminosos e uma atenção insuficiente às vítimas e à população.
Correa também criticou as chamadas audiências de custódia e afirmou que, na sua percepção, existe uma preocupação maior com as condições dos presos do que com as necessidades da população e dos próprios policiais.
Relato sobre confronto com traficante
Durante o relato sobre sua experiência profissional, Correa mencionou um episódio envolvendo um homem identificado por ele como Jussimar, apontado pelo candidato como um dos maiores traficantes de determinado complexo.
Segundo Correa, o homem morreu durante um confronto com policiais de uma unidade especializada, citada por ele como PATAMO/Choque.
O candidato relatou ainda que, após o episódio, policiais teriam recebido orientação para permanecer nos quartéis diante do risco de possíveis retaliações.
O relato foi apresentado por Correa com base em sua experiência e percepção sobre o período em que atuava na segurança pública.
Críticas às condições de trabalho dos policiais
Outro tema de destaque foi a situação dos profissionais da segurança pública.
Correa afirmou que policiais enfrentam dificuldades relacionadas a salários, estrutura e assistência à saúde. Como exemplo, relatou o caso de um colega cuja esposa enfrentava câncer e, segundo ele, não teria conseguido obter pelo plano de saúde o tratamento desejado.
O candidato também afirmou que os policiais estariam há anos sem reajustes salariais adequados, mencionando um período de nove anos.
As declarações refletem a avaliação apresentada por Correa durante a entrevista sobre as condições de trabalho da categoria.
A experiência pessoal com a violência
Correa voltou a destacar que sua opinião sobre segurança pública é influenciada por experiências pessoais.
Ele afirmou já ter entrado em áreas consideradas de risco e relatou situações em que policiais eram recebidos com disparos de arma de fogo.
O candidato também contou um episódio envolvendo seu avô, que, segundo seu relato, tinha 78 anos quando foi morto enquanto trabalhava como taxista. Correa afirmou que o familiar teria sido estrangulado com o próprio cinto de segurança.
Ao lembrar do caso, criticou a ausência, segundo ele, de representantes de organizações de direitos humanos junto à família após o crime. Na visão do candidato, existe uma diferença de tratamento entre familiares de vítimas e pessoas presas.
Moradores das comunidades não devem ser confundidos com criminosos
Apesar das críticas ao tráfico e às comunidades dominadas por organizações criminosas, Correa fez questão de diferenciar os moradores dessas regiões dos integrantes do crime organizado.
Segundo ele, grande parte dos moradores das comunidades é formada por pessoas que trabalham, têm família e desejam viver em segurança.
A declaração reforça um dos pontos apresentados pelo candidato durante a entrevista: a necessidade de distinguir a população que vive nesses territórios dos grupos criminosos que, segundo ele, exercem controle sobre determinadas áreas.
Segurança pública como principal bandeira
Ao longo da entrevista à Rádio Conquista FM 92,5, Soldado Correa construiu sua argumentação a partir da experiência adquirida na atividade policial e de relatos pessoais envolvendo violência e criminalidade.
Suas declarações revelam uma defesa de políticas de segurança pública mais rígidas, maior presença do Estado em áreas consideradas vulneráveis e melhores condições para os profissionais responsáveis pelo policiamento.
As opiniões apresentadas durante a entrevista refletem a posição do candidato sobre segurança pública e foram expostas no contexto de sua atuação política e de sua trajetória profissional.





