O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), teria afirmado a pessoas próximas que está “pronto para a guerra” e que não pretende recuar de sua posição em relação ao pedido de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. A informação foi publicada nesta segunda-feira (21) pelo site O Antagonista.
Segundo a reportagem, Fux estaria resistindo às pressões atribuídas à chamada “ala alexandrina” do Supremo, expressão usada para se referir a ministros considerados próximos de Moraes. O Antagonista afirma que o ministro não pretende alterar seu posicionamento e que poderá endurecer sua atuação diante dos acontecimentos recentes.
Caso Vorcaro aumenta tensão entre ministros
A situação ocorre em meio às investigações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro revelaram contatos com pessoas ligadas a diferentes integrantes do Judiciário.
No caso de Fux, reportagens apontaram que seu filho, o advogado Rodrigo Fux, manteve contato com Vorcaro entre 2024 e 2025. Segundo informações publicadas pelo UOL, as conversas incluíram videochamadas, reuniões presenciais e convites para eventos. A assessoria de Rodrigo Fux negou vínculo profissional ou atuação em favor de Vorcaro ou de empresas relacionadas.
A Folha também informou que mensagens em poder da Polícia Federal registram a participação de Rodrigo Fux em um almoço em Nova York com Vorcaro, em maio de 2024. A assessoria do advogado afirmou que não houve um encontro reservado entre os dois e que havia outras pessoas no evento.
Essas informações passaram a ser utilizadas no debate sobre a atuação de Luiz Fux em assuntos relacionados a Moraes. O Antagonista sustenta que a pressão teria como objetivo provocar uma mudança de postura do ministro. Essa interpretação, porém, é atribuída pela reportagem a pessoas próximas a Fux e não representa uma conclusão oficial do STF.
Fux também cobra acesso aos dados de Vorcaro
Outro capítulo da crise envolve o material extraído do celular de Daniel Vorcaro.
O Antagonista informou que o gabinete de Fux recebeu uma cópia dos dados obtidos pela Polícia Federal, mas encontrou dificuldades para acessar os arquivos. Em ofício encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o ministro pediu auxílio técnico e mencionou a possibilidade de problemas técnicos ou defeito na mídia recebida.
O ministro André Mendonça também relatou dificuldades semelhantes para acessar o conteúdo. Segundo a Polícia Federal, as cópias entregues aos ministros são idênticas à extração original, enquanto o aparelho de Vorcaro permanece sob custódia da corporação.
STF vive momento de divergências internas
A tensão ocorre em um momento de forte exposição do Supremo. Reportagens recentes apontam divergências entre ministros sobre a condução dos desdobramentos do caso Banco Master e sobre a possibilidade de investigação envolvendo Alexandre de Moraes.
O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou durante sessão da Corte que divergências entre ministros são legítimas, mas defendeu que o tribunal evite confrontos pessoais. Segundo Fachin, o papel do Supremo é analisar fatos e questões jurídicas.
Ao mesmo tempo, reportagens sobre as mensagens de Vorcaro passaram a mencionar contatos do ex-banqueiro com diferentes autoridades e pessoas ligadas a integrantes do STF. A Folha, por exemplo, publicou um levantamento sobre as conexões identificadas nas investigações, ressaltando que os episódios envolvem diferentes ministros e que os citados apresentam versões e explicações distintas sobre os contatos.
Nesse cenário, a declaração atribuída a Fux de que estaria “pronto para a guerra” adiciona um novo elemento à disputa interna que vem sendo acompanhada de perto no Supremo. Até o momento, entretanto, a expressão consta como relato de pessoas próximas ao ministro publicado por O Antagonista, e não como uma manifestação pública de Fux.





