Um vídeo gravado durante o segundo turno da eleição presidencial de 2022 voltou a repercutir nas redes sociais nesta quinta-feira (1º), após uma decisão da ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha relacionada ao debate presidencial da TV Globo.
Nas imagens, Aranha aparece entre profissionais que gravaram mensagens de apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Na gravação, ela se identifica como advogada e declara abertamente seu voto no petista.
“Sou Estela Aranha, sou advogada e eu voto em Lula no segundo turno. Eu voto treze”, afirma.
Na sequência, a então advogada apresenta a justificativa para sua posição política. Segundo ela, os profissionais da advocacia deveriam votar em Lula para, em suas palavras, “estancar o aumento do autoritarismo”, defender o Estado Democrático de Direito e a democracia.
“Então os advogados devem votar em Lula, inclusive pra salvar o próprio sistema de Justiça”, declarou no vídeo.
Quatro anos depois, uma decisão no TSE
O registro voltou ao debate público quatro anos depois, justamente após Estela Aranha aparecer no centro de uma decisão envolvendo Lula e o debate presidencial da TV Globo.
Nesta quinta-feira, Aranha, agora ministra do TSE, determinou que a emissora não exibisse o púlpito vazio reservado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate presidencial. A decisão também impediu que os demais candidatos direcionassem perguntas ao candidato ausente.
A representação foi apresentada pela coligação de Lula. Na decisão liminar, Aranha considerou que a exposição destacada do espaço vazio poderia produzir efeitos negativos sobre a candidatura e entendeu que a participação em debates é facultativa. A ministra também apontou que a regra poderia funcionar como uma forma de pressionar candidatos a comparecer ao evento.
A decisão, contudo, é provisória e ainda deverá ser analisada pelo plenário do TSE.
Da declaração de voto à atuação na Justiça Eleitoral
A trajetória entre os dois momentos passou por uma mudança importante de posição institucional.
Em 2022, Estela Aranha aparecia publicamente como advogada e participante de uma manifestação de apoio eleitoral a Lula. Atualmente, ela integra o TSE. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, Aranha foi nomeada para a Corte eleitoral em agosto de 2025, após ter atuado no governo Lula como secretária de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
A circulação do vídeo nas redes sociais ocorre, portanto, em um contexto no qual uma manifestação política feita por Aranha antes de sua chegada ao TSE passou a ser associada à decisão judicial que beneficiou a candidatura de Lula no episódio envolvendo o debate.
A existência do vídeo e o conteúdo da decisão são fatos distintos: o primeiro registra uma manifestação política de Aranha em 2022; o segundo trata de uma decisão judicial proferida em 2026, baseada nos fundamentos apresentados pela própria ministra no processo.
O debate sobre eventual relação entre os dois episódios passou a fazer parte das discussões nas redes sociais após a decisão desta quinta-feira.
Debate acabou cancelado
A controvérsia ganhou novos desdobramentos durante a noite. Após a decisão do TSE, o candidato Flávio Bolsonaro anunciou que não participaria do debate. A TV Globo acabou cancelando o encontro presidencial que estava programado para esta quinta-feira.
O episódio colocou novamente em discussão os limites da atuação da Justiça Eleitoral sobre as regras de debates, a ausência de candidatos e a liberdade das emissoras para definir a dinâmica dos encontros eleitorais.
No caso de Estela Aranha, o vídeo de 2022 acrescentou uma nova dimensão à repercussão da decisão, ao relembrar uma manifestação pública de apoio a Lula feita pela atual ministra antes de sua chegada ao Tribunal Superior Eleitoral.





