O senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu medidas mais rigorosas na área de segurança pública e afirmou que pretende ampliar o endurecimento do combate ao crime no Brasil. A declaração foi feita nesta terça-feira (13), em São Paulo, durante um evento no qual o MDB anunciou apoio majoritário à sua candidatura à Presidência da República.
“ Aqueles que acham que eu sou radical na segurança pública não viram nada ainda. Eu já tô trocando uma ideia com o Derrite, pois tô achando que El Salvador é pouco”, declarou o senador.
Ao mencionar Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Flávio sinalizou que discute propostas voltadas ao endurecimento das políticas de enfrentamento à criminalidade.
Entre as medidas citadas estão a criação de mais de 500 mil vagas no sistema prisional, o aumento das penas para determinados crimes e a fixação de pena mínima de oito anos de prisão para o roubo de celulares.
Modelo de El Salvador entra no debate sobre segurança pública
A referência a El Salvador remete à política de segurança adotada pelo presidente Nayib Bukele, que ganhou destaque internacional pela realização de prisões em massa e pela ampliação da capacidade penitenciária do país.
O governo salvadorenho implementou medidas excepcionais de combate às organizações criminosas, especialmente às gangues que atuavam no território nacional. A estratégia foi associada à redução dos homicídios divulgados pelas autoridades, mas também recebeu críticas de organizações de direitos humanos por denúncias de detenções arbitrárias, problemas no devido processo legal e violações de direitos fundamentais.
Ao afirmar que considera o modelo de El Salvador insuficiente, Flávio Bolsonaro indicou que pretende defender uma abordagem ainda mais rigorosa para a segurança pública brasileira. A declaração, porém, não detalha como seriam implementadas todas as medidas mencionadas nem quais mudanças legislativas seriam necessárias.
Segurança pública deve ocupar espaço no debate eleitoral
A fala do senador coloca o endurecimento das penas, a expansão do sistema penitenciário e o enfrentamento às organizações criminosas entre os temas do debate eleitoral de 2026.
A eventual criação de centenas de milhares de vagas em presídios exigiria planejamento, investimentos e definição de responsabilidades entre União, estados e demais órgãos envolvidos na administração penitenciária. Já a adoção de penas mínimas mais elevadas dependeria da análise da legislação penal e, conforme o alcance das mudanças, da aprovação de propostas pelo Congresso Nacional.
As declarações também devem alimentar a discussão sobre os limites entre o endurecimento da resposta estatal ao crime, a efetividade das políticas de segurança e a garantia dos direitos fundamentais.
O tema tende a permanecer no centro das discussões eleitorais, especialmente diante das diferentes propostas apresentadas para combater roubos, homicídios e a atuação de organizações criminosas no país.





