O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou novamente a suspensão do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e estabeleceu condições para a retomada das atividades. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (13), em meio à disputa jurídica entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com informações divulgadas pela Agência Brasil e pelo UOL, o ministro condicionou a reativação do canal ao registro formal da ferramenta como meio de campanha junto à Justiça Eleitoral. A decisão também prevê o monitoramento das publicações pela Meta, empresa responsável pelo WhatsApp.
Nunes Marques apontou a necessidade de regularização do canal e indicou que Lula poderá ser responsabilizado caso fique comprovado o uso irregular da ferramenta em benefício de sua campanha.
Disputa entre ministros do TSE
O caso ganhou novos desdobramentos após decisões divergentes dentro do próprio Tribunal Superior Eleitoral. No domingo (11), Kassio Nunes Marques havia determinado a suspensão do canal após um pedido apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro, que alegou a divulgação de informações falsas e conteúdos considerados ofensivos ao candidato.
Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a suspensão e autorizou provisoriamente o retorno das atividades, encaminhando a questão para análise do plenário do tribunal.
A divergência entre os ministros colocou o funcionamento do canal no centro de uma disputa jurídica durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
Relatório técnico do TSE não identificou as afirmações denunciadas
Um dos principais elementos do caso é o relatório elaborado pela Assessoria de Enfrentamento à Desinformação do próprio TSE.
Segundo a Agência Brasil, a análise examinou textos e vídeos publicados no canal entre os dias 2 e 11 de outubro de 2026. O documento informou que não foram encontradas, no material examinado, reproduções das afirmações específicas apontadas no processo pela campanha de Flávio Bolsonaro.
O resultado técnico, portanto, não confirmou a presença das alegações mencionadas na denúncia dentro do conteúdo analisado. A avaliação, contudo, não significa necessariamente que todas as publicações do canal tenham sido consideradas regulares, especialmente diante da possibilidade de exclusão de mensagens antes da análise.
A existência de conteúdos apagados também integra a discussão sobre o alcance da fiscalização e as responsabilidades das plataformas digitais.
Canal foi criado por André Janones para mobilizar apoiadores de Lula
O “Exército do Lula” foi criado pelo deputado federal André Janones no WhatsApp e passou a reunir milhões de participantes durante a mobilização para o segundo turno. A ferramenta é utilizada para divulgar conteúdos favoráveis ao presidente e estimular a participação de apoiadores nas ações digitais da campanha.
A campanha de Flávio Bolsonaro questiona o funcionamento do canal e pediu a intervenção da Justiça Eleitoral. Do outro lado, Janones criticou as decisões de suspensão, enquanto aliados de Lula contestaram as restrições impostas à ferramenta.
Com a nova determinação, o funcionamento do canal fica condicionado ao cumprimento das exigências estabelecidas pelo TSE. O caso ainda envolve a apuração sobre o uso da estrutura digital e a aplicação das regras eleitorais à mobilização política nas redes sociais.
A controvérsia mantém em debate os limites da propaganda eleitoral na internet, a responsabilidade dos candidatos pelo conteúdo divulgado por apoiadores e os critérios utilizados pela Justiça Eleitoral para combater a desinformação durante as eleições.





