O que seria uma discussão sobre a implantação ou reativação do Conselho de Segurança de Paulo Afonso, no norte da Bahia, terminou em um bate-boca entre o vereador Jailson Oliveira (PP) e o comandante do 20º Batalhão da Polícia Militar (20º BPM), tenente-coronel Edson Mascarenhas.
O debate ocorreu durante uma sessão da Câmara Municipal e ganhou contornos políticos depois que o vereador criticou a atuação do governo do Estado na área da segurança pública. Em contrapartida, o comandante defendeu os investimentos destinados à Polícia Militar e afirmou que sua manifestação não tinha como objetivo defender o governador Jerônimo Rodrigues (PT), mas a instituição policial.
Conselho de Segurança foi o ponto de partida do debate
Inicialmente, a participação do comandante na sessão tinha como objetivo apresentar a importância de um Conselho de Segurança para o município.
Segundo Mascarenhas, a estrutura pode ajudar na articulação entre órgãos públicos, instituições e sociedade civil. Além disso, o conselho pode contribuir para a captação e aplicação de recursos em projetos voltados à prevenção e ao combate à violência.
Entre as iniciativas citadas estão ações de combate à violência doméstica, o Botão do Pânico, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), a Ronda Rural e projetos direcionados aos povos originários.
No entanto, durante os questionamentos dos vereadores, a discussão acabou tomando outro rumo.
Vereador responsabiliza governo do Estado
Em seu discurso, Jailson Oliveira relacionou os problemas enfrentados na segurança pública à gestão do governador Jerônimo Rodrigues.
De acordo com o parlamentar, faltariam recursos para ampliar os investimentos no setor. Além disso, Jailson fez críticas diretas à administração estadual.
“A culpa é do governador que vocês aqui defendem. De um governador que quebrou o Estado, que não tem recurso para investir na segurança pública do estado.”
A declaração provocou uma reação do comandante do 20º BPM.
Comandante rebate e cita investimentos
Em resposta, o tenente-coronel Edson Mascarenhas afirmou que, desde que ingressou na Polícia Militar, nunca havia recebido tantos recursos quanto atualmente.
Segundo ele, a corporação também passou a contar com mais viaturas e munições.
“Nunca teve tanta viatura nova como está tendo agora. Nunca teve tanta munição como está tendo agora.”
Além disso, Mascarenhas contestou a ideia de que existam locais na Bahia onde a Polícia Militar não consiga entrar devido à presença de facções criminosas.
O comandante reconheceu, por outro lado, que a atuação de grupos criminosos é uma realidade no país. Ainda assim, afirmou que a Polícia Militar continua entrando nas áreas onde existem ocorrências relacionadas às facções.
“Eu não conheço nenhum local do estado que a Polícia Militar não entre.”
Vereador cita Salvador e aumenta o tom
Após a declaração do comandante, Jailson Oliveira voltou a rebater.
O vereador afirmou conhecer uma realidade diferente, principalmente por ter vivenciado situações em Salvador e em outras regiões do estado.
“Eu conheço, Salvador. Vivo em Salvador e nos quatro cantos da Bahia. Vejo a realidade do nosso Estado. E isso é uma realidade no país. Mas, se o senhor quer defender o governador, fique à vontade.”
Dessa forma, o debate passou a envolver não apenas a segurança pública de Paulo Afonso, mas também a atuação do governo estadual e a realidade enfrentada em diferentes regiões da Bahia.
“Estou defendendo a minha instituição”, diz comandante
Diante da afirmação do vereador, Mascarenhas fez questão de esclarecer que não estava fazendo uma defesa política do governador.
Segundo o comandante, sua intenção era apresentar a realidade da Polícia Militar e defender a instituição que representa.
“Não tô defendendo o governador não, tô defendendo a minha instituição.”
Na sequência, ele voltou a afirmar que não conhece nenhuma área do estado onde a Polícia Militar deixe de entrar completamente.
“Eu não conheço nenhum local do estado que a Polícia Militar não entre. Eu não tô dizendo para o senhor que não existem ações de faccionados, existem. Mas não existe nenhum local conflagrado de uma forma que a Polícia Militar não entre. Isso é fato.”
Recursos escassos também entram na discussão
Outro ponto de divergência foi a questão dos recursos destinados à segurança pública.
Anteriormente, Mascarenhas havia mencionado que as demandas são maiores do que os recursos disponíveis. Entretanto, a declaração foi interpretada pelo vereador como uma possível falta de investimento.
Por isso, o comandante voltou a explicar sua posição.
“Quando eu falei sobre a questão de recursos, eu acho que o senhor entendeu mal. Eu não disse que a gente não tem recurso. Eu disse que os recursos são escassos.”
Assim, a discussão estabeleceu duas visões diferentes sobre o mesmo problema. Enquanto Jailson Oliveira questiona a quantidade de investimentos e responsabiliza o governo estadual, o comandante destaca os avanços recentes na estrutura da Polícia Militar, mas reconhece que os recursos continuam limitados diante das demandas.
Conselho pode voltar a ganhar força em Paulo Afonso
Apesar do bate-boca, o principal tema da sessão continua sendo a possibilidade de implantação ou reativação do Conselho de Segurança de Paulo Afonso.
A proposta busca criar um espaço permanente para discutir os problemas de segurança do município e aproximar a comunidade dos órgãos responsáveis pela área.
Além disso, a estrutura pode facilitar a elaboração de projetos e a busca por recursos para iniciativas específicas.
Dessa maneira, a discussão na Câmara mostrou que, além da necessidade de investimentos, existe também um debate sobre como os diferentes setores podem participar da construção de soluções para a segurança pública.
Por fim, o episódio entre o vereador e o comandante expôs opiniões distintas sobre a situação da segurança na Bahia. Enquanto um lado cobra mais investimentos e responsabiliza a gestão estadual, o outro destaca os recursos já destinados à Polícia Militar e defende a atuação da corporação.
O debate, portanto, deve continuar nas próximas discussões sobre a implantação ou reativação do Conselho de Segurança em Paulo Afonso.





