Na tarde desta quinta-feira, 28 de agosto de 2025, uma visita de quatro horas do vice-prefeito de São Paulo, coronel Ricardo Mello Araújo (PL), ao ex-presidente Jair Bolsonaro trouxe à tona um momento de profunda fragilidade política e pessoal. Desde 4 de agosto, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar sob vigilância do STF e, portanto, sua rotina tem sido marcada por isolamento e tensão.
Segundo Mello Araújo, o encontro, que se estendeu das 14h às 18h, teve como objetivo principal levantar o ânimo de Bolsonaro. Durante a conversa, o ex-presidente rememorou sua trajetória militar e política — da carreira no Exército até a Presidência. No entanto, visivelmente abalado pela proximidade do julgamento no Supremo Tribunal Federal, teria confessado: “Estou com 70 anos, minha vida já acabou”. O vice-prefeito, por sua vez, buscou contrapor esse sentimento afirmando que Bolsonaro ainda está “no jogo” e projetou um futuro com final feliz — até mesmo com a intervenção divina.
Além disso, Mello Araújo criticou a forma como o ex-presidente está sendo tratado politicamente. Para ele, “estão enterrando ele vivo”, já que vários criminosos foram soltos enquanto Bolsonaro permanece em prisão domiciliar. Essa comparação, portanto, reforça a percepção de injustiça presente entre aliados do ex-presidente.
O vice-prefeito também tentou trazer sugestões práticas para ajudar Bolsonaro a enfrentar o momento. Por exemplo, montou um treino de exercícios com esteira para prática em casa. Contudo, o ex-presidente recusou a ideia “por enquanto”.
Em resumo, a visita expôs não apenas o estado emocional de Bolsonaro, mas também o esforço de aliados em mantê-lo ativo politicamente. Assim sendo, o episódio reforça o clima de incerteza sobre o futuro do ex-presidente, que oscila entre desabafos de desânimo e tentativas de reerguimento.