A reta final da campanha presidencial de 2026 foi marcada por uma série de decisões judiciais envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para o analista de política da CNN Brasil Caio Junqueira, os episódios recentes revelam uma atuação de setores das cortes que, na avaliação dele, acaba favorecendo a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A análise foi apresentada no CNN Prime Time, após a sequência de decisões judiciais que culminou no cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na noite de quinta-feira (1º).
Segundo Junqueira, o episódio envolvendo o debate é emblemático. A ministra do TSE Estela Aranha determinou que a Globo não exibisse uma cadeira vazia com o nome de Lula, que havia decidido não participar do programa.
O PT havia assinado anteriormente uma ata com representantes de outros partidos estabelecendo que, em caso de ausência de um candidato convidado, seu lugar permaneceria vazio e identificado com seu nome. Posteriormente, o partido acionou o TSE para suspender justamente essa regra.
Na decisão, Estela Aranha argumentou que a ausência do candidato não poderia gerar consequências coercitivas e que a participação em debates não é obrigatória. A medida acabou se tornando um dos elementos da crise que levou ao cancelamento do programa.
Outras decisões entraram na análise
Caio Junqueira também citou outras decisões recentes envolvendo ministros do STF e do TSE. Entre elas está a decisão do ministro Gilmar Mendes sobre o Bolsa Família.
Em 18 de setembro, Gilmar Mendes reconheceu que o reajuste promovido pelo governo federal no programa constituía uma atualização dos benefícios, dentro do cumprimento de uma decisão anterior do próprio Supremo relacionada à renda básica. Segundo o STF, os valores foram atualizados mediante critério objetivo de correção monetária.
O analista também mencionou a disputa judicial envolvendo publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
O caso começou no TSE com decisão do ministro André Mendonça determinando a retirada de conteúdos que associavam Flávio Bolsonaro à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A questão posteriormente chegou ao STF, onde o ministro Flávio Dino suspendeu a decisão de Mendonça em relação a uma publicação específica.
Posteriormente, o próprio TSE analisou o caso e manteve a determinação de retirada de publicações que associavam Flávio à suposta intenção de retirar o título de padroeira, mas houve divergências sobre a extensão da medida.
Debate da Globo terminou no centro da controvérsia
A crise em torno do debate presidencial ganhou novos capítulos quando o ministro Gilmar Mendes determinou a participação do candidato Renan Santos, do partido Missão. Paralelamente, a ministra Estela Aranha proibiu a exibição do púlpito vazio reservado a Lula.
As decisões judiciais alteraram as condições originalmente estabelecidas pela emissora. Flávio Bolsonaro acabou desistindo de participar e, diante da nova configuração, a Globo cancelou o debate.
Em sua análise, Caio Junqueira classificou a sequência de decisões como demonstração de uma atuação política de setores do STF e do TSE. Para o comentarista, os episódios teriam revelado um alinhamento desses setores em torno da reeleição de Lula.
Essa interpretação, porém, é uma avaliação do analista e não uma conclusão formal das cortes ou uma constatação judicial de favorecimento eleitoral.
Junqueira fala em possível impacto político sobre ministros
Durante o comentário, Caio Junqueira foi além e afirmou enxergar uma relação entre a disputa eleitoral e o futuro político de alguns integrantes do Supremo.
Segundo sua avaliação, uma eventual vitória da oposição poderia provocar pedidos de impeachment contra ministros da Corte. A partir dessa possibilidade, Junqueira afirmou entender que integrantes do STF estariam interessados na vitória de Lula como forma de preservar sua posição política.
Essa última afirmação representa a percepção apresentada pelo comentarista durante o programa e não há, nas decisões citadas, comprovação de que ministros tenham tomado suas decisões com o objetivo de favorecer eleitoralmente Lula ou de preservar seus próprios cargos.
O debate sobre a atuação do Judiciário ganhou força justamente na reta final da eleição, com diferentes decisões do STF e do TSE interferindo diretamente em questões relacionadas à campanha presidencial, à propaganda eleitoral e à participação dos candidatos em debates.





