Um comentário feito por um analista político do UOL reacendeu o debate sobre o cenário eleitoral de 2026 e colocou em xeque a ideia, difundida no início do ano, de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria favorito automático à reeleição.
Durante a análise, o comentarista destacou que há uma percepção equivocada no debate público: a de que a intenção de voto, medida muito antes da eleição, é o principal indicador do resultado nas urnas. Segundo ele, a variável mais relevante no primeiro semestre do ano eleitoral não é a simulação de voto, mas sim a avaliação do governo.
Avaliação do governo pesa mais que intenção de voto
Em conversa com a jornalista Thaís Bilenky, o analista explicou que cenários de primeiro e segundo turno, com tantos nomes ainda indefinidos, são considerados “absolutamente fictícios”. Isso ocorre, especialmente, porque há uma pulverização de candidaturas à direita, enquanto a esquerda concentra votos em um único nome.
De acordo com ele, quando se observa a série histórica do Ipec, que acompanha avaliações presidenciais desde 1986, o retrato atual do terceiro mandato de Lula é preocupante. A média de avaliação “ótimo/bom” gira em torno de 33%, enquanto “ruim/péssimo” alcança cerca de 35%, um saldo negativo ou praticamente zerado.
Comparações com mandatos anteriores
O comentarista lembrou que, no primeiro mandato, Lula manteve saldo positivo médio de 17 pontos, e no segundo mandato chegou a impressionantes 51 pontos. Mesmo em momentos de crise, como o escândalo do mensalão em 2005, o presidente ainda apresentava saldo positivo.
A comparação se estende também à ex-presidente Dilma Rousseff, que, apesar da queda abrupta de popularidade em 2013, fechou aquele ano com saldo médio positivo de 27 pontos. Em 2014, ano da reeleição, Dilma ainda manteve avaliação superior à atual média de Lula no terceiro mandato.
Inflação do dia a dia e desgaste regional
Outro ponto central da análise foi o impacto do custo de vida no humor do eleitor. Segundo o comentarista, indicadores macroeconômicos positivos, como crescimento do PIB ou queda do desemprego, não são suficientes para melhorar a popularidade se não houver reflexo direto no cotidiano da população.
Ele citou como exemplo o aumento de 56% no preço das corridas por aplicativo no último ano, além da alta nos alimentos e na conta de energia elétrica — fatores que pesam especialmente no Nordeste, região historicamente mais favorável ao presidente, mas onde já se observa perda de popularidade em pesquisas recentes.
Reeleição ainda é possível, mas longe de garantida
Na avaliação final, o analista do UOL afirmou que Lula não está “condenado a perder”, mas tampouco pode ser tratado como favorito natural. Para chegar competitivo a 2026, o presidente precisaria repetir um desempenho raro: elevar fortemente a avaliação positiva e reduzir de forma significativa o índice de rejeição, algo que exigiria resultados concretos percebidos pela população.
A conclusão é clara: a eleição de 2026 tende a ser decidida menos por discursos e números técnicos, e mais pela sensação real de melhora — ou não — na vida diária dos brasileiros.


