Em fala contundente, religioso afirma que a liberdade deve ser defendida diante de regimes autoritários e pede coerência dos católicos entre a fé professada e suas escolhas políticas
A defesa da liberdade foi o eixo central de uma recente fala de Dom Adair. Ao abordar temas como comunismo, fascismo, nazismo, ditaduras e ideologias políticas, o religioso afirmou que a perda da liberdade representa uma das experiências mais tristes para uma sociedade.
“Perder a liberdade é muito triste”, declarou. A partir dessa afirmação, Dom Adair criticou regimes que, segundo sua avaliação, restringem a liberdade individual e política. Ele citou especificamente o comunismo, o fascismo e o nazismo, classificando-os como sistemas que teriam como característica a supressão da liberdade.
Durante a fala, o religioso também questionou o silêncio de pessoas que, segundo ele, deveriam se posicionar diante de regimes autoritários e de movimentos políticos que considera incompatíveis com a liberdade. Entre os assuntos mencionados, citou o Foro de São Paulo e as ditaduras.
“Basta olhar a história”
Ao defender sua posição, Dom Adair recorreu à história como argumento para alertar sobre os efeitos de regimes autoritários.
“Não é possível que nós sejamos tão néscios de acreditar que ideologia, que ditadura traz o bem-estar para as pessoas”, afirmou. Na sequência, associou esses regimes a fome, miséria e sofrimento e defendeu que a análise histórica deve servir como referência para evitar a repetição de experiências consideradas negativas.
O religioso também criticou o que chamou de “cegueira ideológica”. Segundo ele, algumas pessoas acabam fortemente influenciadas por ideias recebidas em universidades ou em grupos políticos e encontram dificuldades para questioná-las.
Para Dom Adair, a mudança dessa postura passa por um processo de conversão.
Fé e coerência nas escolhas
Outro ponto importante da fala foi a relação entre a fé católica e as escolhas políticas dos fiéis.
Dom Adair questionou como um católico poderia apoiar propostas ou partidos que, na visão dele, contrariem a doutrina social da Igreja, a moral cristã ou os princípios da fé.
Ele mencionou, nesse contexto, partidos que classifica como favoráveis ao aborto, contrários à liberdade ou interessados em concentrar o poder político, sem admitir o confronto com ideias diferentes.
A questão central levantada pelo religioso é a da coerência: para ele, professar uma fé exige que as escolhas e atitudes do indivíduo estejam de acordo com aquilo que ele afirma acreditar.
“Não basta dizer que acredita. É preciso viver como quem acredita”, afirmou.
Quando a ideologia ocupa o lugar da fé
Em outro momento, Dom Adair relatou já ter ouvido pessoas dizerem que prefeririam sua ideologia a Jesus Cristo. Para o religioso, essa inversão representa uma contradição profunda para quem se declara cristão.
“Eu prefiro a minha ideologia do que Jesus Cristo”, citou, acrescentando em seguida: “Que tristeza”.
A fala coloca no centro uma reflexão sobre os limites da identificação política. Na perspectiva apresentada por Dom Adair, nenhuma ideologia deveria ocupar o lugar reservado à fé e à relação com Cristo.
Conversão também significa transformação
A mensagem não se limitou à crítica política. Dom Adair também enfatizou a dimensão espiritual da mudança.
Segundo ele, rezar não deve ser apenas um ato exterior, mas precisa produzir transformação concreta na vida de quem reza.
“Não basta rezar. É preciso deixar que a oração transforme a nossa vida”, afirmou.
Nesse sentido, o religioso defendeu que a oração deve contribuir para uma mudança interior, ajudando o indivíduo a abandonar sentimentos e atitudes que considera incompatíveis com a fé cristã.
Ao final, Dom Adair ressaltou que esse processo não depende apenas da força de vontade humana. “A conversão é graça”, afirmou, destacando a necessidade de humildade e perseverança diante de Deus.
A fala termina retomando justamente o tema que abriu sua reflexão: a liberdade.
Para Dom Adair, defender a liberdade não é apenas uma questão política, mas também uma responsabilidade ligada à fé, à consciência e à dignidade humana. E, em sua perspectiva, preservar essa liberdade exige não apenas posicionamento público, mas também uma transformação interior capaz de colocar os valores professados acima das disputas ideológicas.
“Não tem coisa mais triste do que a perda da liberdade.”





