As imagens divulgadas pela candidata Maria Madalena Souza nas redes sociais dizem muito — talvez mais do que pretendem.
Nelas, ela aparece ao lado de figuras políticas como o ex-governador Rui Costa, o atual governador Jerônimo Rodrigues, o deputado federal Jorge Solla e vereadores com atuação reconhecida.
Apesar disso, uma das peças afirma explicitamente:
“Madalena não é filiada a partido político…”
A contradição, portanto, não apenas existe — ela ocupa o centro da estratégia.
O que deveria estar em jogo (e não está)
A eleição para a reitoria da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia não se configura como uma disputa partidária convencional. Pelo contrário, trata-se de um processo institucional com objetivos bastante definidos.
A reitoria representa o órgão máximo de execução administrativa e acadêmica. Nesse sentido, cabe a ela implementar políticas universitárias, além de gerir ensino, pesquisa, extensão, orçamento e pessoal.
Ao mesmo tempo, o processo eleitoral foi estruturado para garantir equilíbrio entre segmentos (docentes, técnicos e estudantes), bem como igualdade de condições entre chapas e um debate programático qualificado.
Ou seja, espera-se uma escolha técnica, estratégica e institucional — e não uma disputa guiada por alinhamentos ideológicos simplificados.
Quando a campanha escorrega para o simbólico-partidário
Ao priorizar imagens com figuras de peso da política, a campanha parece apostar em três elementos principais: capital político externo, validação por proximidade com governos e sinalização ideológica — ainda que negada formalmente.
Com isso, o foco se desloca. Em vez de discutir propostas concretas, abre-se espaço para uma lógica de pertencimento político. No entanto, universidade não é trincheira.
Ela deve ser, antes de tudo, um espaço de produção de conhecimento, gestão qualificada e pluralidade real — não apenas performática.
O paradoxo do “não partidário”
Talvez o ponto mais frágil da comunicação seja a tentativa de sustentar, simultaneamente, duas posições difíceis de conciliar: a afirmação de não filiação partidária e a exposição recorrente ao lado de figuras de um mesmo campo político.
Mais do que uma incoerência, isso revela uma estratégia arriscada.
Isso porque o eleitor universitário tende a ser mais atento e crítico. Ele interpreta símbolos, identifica alinhamentos e percebe rapidamente quando há dissonância entre discurso e prática.
Quando a política apequena a universidade
O caso analisado revela um problema mais amplo: a tendência de transformar a universidade em extensão da política partidária.
No entanto, esse movimento compromete o debate. À medida que a discussão se apoia em símbolos ideológicos, perde-se densidade, rigor e profundidade.
E, nesse processo, perde-se também a própria universidade.





